Belgrado, 13 (AE-AP) - O controvertido ex-vice-primeiro-ministro iugoslavo Vuk Draskovic anunciou hoje (13) que seu partido, o Movimento de Renovação da Sérvia, vai convocar manifestações de rua para pressionar o presidente Slobodan Milosevic a realizar mundaças políticas e econômicas e renunciar ao cargo. Draskovic costuma mudar de posição frequentemente e até há alguns ainda sustentava que Milosevic deveria ter uma chance para reformar seu governo.
Na entrevista coletiva à imprensa, depois de declarar-se um oponente político do presidente, dizer que os sérvios deveriam livrar-se do "regime" de Milosevic e parecer, como sempre, não muito claro, os repórteres pressionaram-no para responder se iria ou não defender a renúncia do líder. "Não há nada que me reste agora senão deixar esta sala, ir direto até Milosevic, abraçá-lo e dizer: Renuncie", admitiu, enfim, sem explicar porque mudou de idéia sobre o líder iugoslavo. Ele deixou o governo durante os bombardeios da Organização do tratado do Atlântico Norte (Otan), após criticar os linhas-duras do regime.
Draskovic deixou claro, porém, que convocará suas próprias manifestações e não unirá forças com o principal grupo pró-democracia, a Aliança para a Mudança, que começou a realizar protestos pró-renúncia de Milosevic há duas semanas. A primeira concentração popular do Movimento de Renovação da Sérvia será no sábado, na cidade central de krakujevac, coincientemente ou não, a mesma onde os seguidores da Aliança promoverão um protesto na quinta-feira. "Eu desejo o melhor para eles (a Aliança). Nós não somos opositores políticos. Milosevic é nosso inimigo político", completou.
Hoje, a promotora-chefe do Tribunal Penal para a ex-Iugoslávia (TPI), Louise Arbour, chegou a Kosovo para visitas a locais de massacres de albaneses-étnicos. Arbour disse que as investigações estão corroborando as informações reunidas pelo TPI para indiciar Milosevic por genocídio. Ela fez um apelo aos albaneses-étnicos para que não se vinguem dos sérvios e esperem os julgamentos dos criminosos de guerra.
Em Bruxelas, os ministros de Finanças dos países do G-7 (as sete nações mais industrializadas do mundo) e dirigentes de instituições financeiras internacionais reuniram-se para definir as prioridades na ajuda a Kosovo e os países dos Bálcãs. Eles avaliaram que o custo da reconstrução pode ser menor do que o previsto inicialmente.

mockup