Ouro Preto, 21 (AE) - A comemoração do Dia de Tiradentes em Ouro Preto, hoje, transformou-se numa grande confraternização da esquerda brasileira. Condecoradas com a Grande Medalha da Inconfidência pelo governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), os principais líderes da oposição deixaram diferenças de lado em nome da unidade contra o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Em seus discursos, fizeram todos o mesmo apelo para que a população saia às ruas para cobrar mudanças na política econômica. "Não vamos dividir a oposição em palavras de ordem"
afirmou o presidente do PT, José Dirceu. "Estamos mais unidos do que nunca", reforçou o presidente do PDT, Leonel Brizola. "Há divergências, mas vamos continuar juntos". Dirceu e Brizola foram dois dos homenageados com a medalha, o mais alto grau da honraria concedida pelo governo mineiro.
A solenidade da medalha é realizada em Ouro Preto desde 1952, como homenagem oficial do Estado à memória do mártir da Inconfidência Mineira. Este ano, no entanto, Itamar transformou o evento num grande protesto contra o governo federal. Da lista de 84 homenageados constavam os principais nomes da esquerda. Além dos presidentes do PT e do PDT, foram condecorados o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PSB, Miguel Arraes, o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), e a deputada federal Luíza Erundina, entre outros. Líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da União Nacional dos Estudantes (UNE) também foram homenageados.
Os oradores criticaram o presidente da República e o anfitrião do protesto, Itamar Franco, reclamou de mais um bloqueio de recursos do Estado, no valor de R$ 35 milhões. "Mas para bancos e banqueiros, permite que se dê milhões", atacou. Mais uma vez, ele afirmou que não permitirá a privatização das hidrelétricas. "Vamos dizer ao homem do poder que não tente desviar os nossos rios porque, aí, teremos confronto". Em seu discurso, Lula chamou Fernando Henrique de "presidente-cupim", que só sabe destruir. "É a primeira vez na história que um presidente faz empréstimo de R$ 500 bilhões e você não vê nenhum tijolo", acusou. "Até os militares, que lutamos para derrubar, contraíram dívidas, mas construíram um ativo".

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