Brasília, 17 (AE) - A oposição vai colocar à prova seu poder de mobilização social na "Marcha dos 100 Mil", no dia 26 de agosto, em Brasília, convocada como protesto ao governo federal. "Poderíamos mobilizar 300 mil, mas como os sindicatos e entidades é que estão bancando as caravanas, a crise não permitirá maior número de participantes", afirmou o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP). Durante entrevista hoje, representantes do PT, PSB, PDT e PCdoB fizeram ainda coro ao apoio do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, à manifestação dos agricultores hoje em Brasília. "Estaremos apoiando sempre qualquer manifestação contra este governo", declarou Lula.
A expectativa da oposição é que a manifestação marcada para a próxima quarta-feira em Brasília renda o preenchimento da lista de um milhão de assinaturas pedindo a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) objetivando investigar o leilão de privatização da Telebrás. Para Lula, não se espera que "no dia seguinte" a CPI seja instalada, mas que renda um "clima" de descontentamento com o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. "O ato é um começo e não um fim", completou José Dirceu.
A longo prazo, esse descontentamento com o governo federal poderá resultar num maior número de prefeitos da oposição nas eleições do próximo ano. "Esperamos uma colheita enorme nas eleições, se soubermos fazer o jogo político e não tropeçar nos próprios pés", afirmou Lula.
"Tropeçar nos próprios pés é não saber administrar birras, porque na oposição não há divergências, só birras", explicou. Lula acredita que, em 2002, a esquerda conseguirá conquistar as prefeituras de pelo menos dez capitais.
Lula afirmou que tem uma "divergência" com o presidente do PDT, Leonel Brizola, sobre a iniciativa do partido em fazer um abaixo-assinado pedindo a renúncia do presidente Fernando Henrique.
"Isso é apostar num gesto de grandeza que o presidente não é capaz de ter", disse. O PT, segundo ele, prefere "apostar" no principal objetivo da manifestação da quarta-feira próxima, de completar as assinaturas para a instalação da CPI.
O presidente de honra do PT fez críticas duras ao governo do presidente Fernando Henrique. "Ele perdeu a independência de seus atos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao senador Antônio Carlos Magalhães, que dita regras ao governo, acabando com a autoridade de um governo que não tem condições políticas e morais para governar", afirmou. Para ele, as pesquisas de opinião com a queda de popularidade do presidente só tendem a aumentar os índices. "Ele está no fundo do poço, mas sempre pode cavar mais no fundo".
José Dirceu justificou ter votado a favor do substitutivo do deputado Ronaldo Caiado (PPB-GO), de perdão das dívidas dos ruralistas, por acreditar que a agricultura brasileira segue a crise econômica do País. Para ele, o substitutivo promove uma mudança na política agrícola e atende também aos pequenos proprietários endividados. "Apoiamos a manifestação dos ruralistas, mas isso não significa ter os mesmos objetivos políticos", afirmou. Para ele, o Brasil precisa de uma aliança popular de esquerda mais ampla. "O protesto dos ruralistas parece um bom sinal nessa direção".

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