Oposição teme atos de violência na manifestação
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por César Felício 
Brasília, 23 (AE) - A oposição teme atos de violência na manifestação programada em Brasília na quinta-feira (26), com a chegada da chamada Marcha dos Cem Mil. A avaliação é que qualquer incidente, mesmo provocado pelo governo federal, irá comprometer a imagem dos partidos oposicionistas.
"Se um provocador jogar uma pedra num policial e as forças de segurança revidarem, o movimento perde-se e o que vai virar notícia no dia seguinte é o conflito físico", disse o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), um dos organizadores do movimento. Segundo Chinaglia, ao denunciar intenções supostamente golpistas da oposição, o PSDB criou um clima para que haja conflito.
"O PSDB colocou uma argumentação bélica; é uma atitude provocatória que pode insuflar os que estão na manifestação", disse o deputado. Para tentar evitar qualquer incidente, os organizadores da marcha contarão com uma força de segurança interna de 500 militantes. Também faz parte da estratégia deixar de responder às críticas que estão sendo feitas nos últimos dias pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "Não vamos entrar em batalha verbal, nem aceitar provocação", disse o líder do PT na Câmara, José Genoíno (PT-SP).
Caso a manifestação degenere em conflito com a Polícia Militar, a oposição teme aparecer como a única perdedora. "A pior coisa para nós será acontecer a invasão de um prédio público ou aparecer um cadáver; isto colaria na oposição a imagem de baderneira", afirmou o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), que criticou o uso de slogans como "Fora FHC" ou "Renúncia Já" como palavras de ordem no ato. "O governo está aproveitando-se disto para construir um discurso paranóico, porém esperto, de defensor da democracia", afirmou.
Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), a estratégia governista está sendo bem sucedida. "Infelizmente, o governo está conseguindo desviar o curso da discussão; passou para a sociedade que há uma manobra golpista contra ele e setores da oposição entraram de cabeça neste debate, quando o que tem de se discutir é a mudança de rumos da política econômica", disse. Para Miro Teixeira, "se algum maluco provocar um conflito e morrer alguém, é impossível saber o que pode decorrer disto".
Caso a manifestação seja bem-sucedida, ela poderá ser um estímulo a que diversos outros atos planejados por movimentos sociais ganhem tom político. No dia 7, entidades ligadas à Igreja Católica irão promover em todo o País uma série de eventos que irão constituir o "Grito dos Excluídos". Em outubro, outra marcha chegará a Brasília, desta vez, organizada exclusivamente pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e voltada para a questão rural.


