Oposição sérvia exige mudanças, mas surgem rachas
Belgrado, 22 (AE-AP) - Os principais opositores do presidente Slobodan Milosevic exigiram hoje (22) mudanças democráticas urgentes, mas outros rachas apareceram na tradicionalmente dividida oposição democrática, diminuindo as perspectivas de uma frente unida antigovernamental.
"Estamos exigindo mudanças muito corajosas, muito democráticas no país", declarou Vuk Draskovic, um líder opositor que tem ocasionalmente cooperado com o governo de Milosevic. "Estamos exigindo eleições democráticas".
Draskovic disse que a democratização da Sérvia e a reconciliação do país com o mundo têm de começar "imediatamente". Ele descartou convocar por enquanto protestos de rua, mas afirmou acreditar que existem pessoas nos partidos governistas leais a Milsoevic que percebem que chegou o momento das reformas.
A coalizão socialista-comunista de Milosevic parece ter ficado abalada depois de 11 semanas de bombardeios da Otan e a retirada das forças sérvias de Kosovo. Os Estados Unidos e outros países ocidentais têm dito que a Sérvia não receberá qualquer ajuda para reconstrução enquanto Milosevic, indiciado por crimes de guerra em Kosovo, estiver no poder.
Enquanto isto, outra coalizão oposicionista - a Aliança pela Mudança - anunciou separadamente que começaria a organizar manifestações em toda a Sérvia para exigir a renúncia de Milosevic e de seu governo. O grupo, apoiado pelos EUA, que reúne alguns dos principais partidos de oposição, afirma que a saída do regime de Milosevic é crucial para a sobrevivência do Estado e de seu povo.
Alguns consideram que a coalizão é o principal movimento genuinamente pró-democracia no país. Ela também tem vínculos próximos com forças pró-Ocidentais na república rebelde da Iugoslávia, Montenegro.
Mas hoje, a coalizão também mostrou sinais de racha, com um de seus partidos anunciando que estava abandonando o movimento. A Alternativa Democrática, liderada por um ex-aliado de Milosevic, Nebojsa Covic, afirmou que estava saindo da coalizão em vista de "sérias diferenças de opinião política".
O racha na coalizão e a falta de cooperação entre Draskovic e outros partidos de oposição mostram que os opositores de Milosevic na Iugoslávia continuam divididos, apesar de a falta de união ter custado muito a eles no passado.
No inverno boreal de 1996, três destacados líderes da oposição, incluindo Draskovic e o ex-prefeito de Belgrado Zoran Djindjic, lideraram mais de três meses de protestos anti-Milosevic que abalou seriamente o regime do homem-forte.
Mas posteriormente a coalizão chamada Zajedno, ou Juntos, rachou por causa de rivalidades pessoais, enterrando qualquer chance de sucesso. Partidários da oposição na Sérvia acabaram desapontados.
Analistas na Sérvia acreditam que a oposição não tem chances contra Milosevic se ela não formar uma frente unida.
Ultranacionalistas, liderados pelo chefe do Partido Radical, Vojislav Seselj, poderiam lucrar com a divisão da oposição e emergir vitoriosos nas eleições que devem ser realizadas no ano que vem.
Draskovic, antes o pricipal líder de protestos de rua na Sérvia, foi destituído do governo federal de Milosevic durante os bombardeios da Otan contra a Iugoslávia porque pediu por um acordo com a aliança ocidental.
Na entrevista coletiva de hoje, Draskovic disse que ele está pronto "para acender a chama da mudança" na Sérvia, mas descartou uma cooperação com a Aliança pela Mudança alegando que o grupo não conquistaria mais do que dois por cento dos votos em eventuais eleições.





