Brasília, 22 (AE) - Os líderes da oposição estão considerando difícil fechar um acordo com os governistas para que a proposta de emenda constitucional que prorroga a vigência e aumenta a alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) tenha uma tramitação mais rápida na Câmara. Os oposicionistas avaliam que o governo tem pouco a lhes oferecer em troca da facilidade para aprovar o projeto mais importante para o ajuste fiscal, depois que foi aprovada a cobrança da contribuição previdenciária dos inativos. Os líderes governistas, por sua vez, podem insistir na alteração do regimento da Câmara para facilitar a tramitação de qualquer emenda constitucional caso a oposição não aceite negociar.
Parlamentares dos dois lados temem um confronto de grandes proporções, que poderia atrapalhar ainda mais as votações do ajuste fiscal. "Seria uma batalha sangrenta", adverte o vice-líder do PSDB na Câmara, Aloysio Nunes Ferreira (SP), relator da proposta da CPMF na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
O deputado, que já foi vice-governador de São Paulo, avalia ser possível aprovar essa matéria rapidamente na Câmara, mesmo com a observância dos prazos mínimos previstos pelo atual regimento - desde que haja empenho e determinação da base governista.
Os líderes da oposição prevêem que a "batalha sangrenta" definida pelo vice-líder do PSDB na Câmara, Aloysio Nunes Ferreira (SP) ocorrerá se os governistas insistirem na alteração do regimento. Um dos líderes oposicionistas prevê que o presidente da Câmara, Michel Temer, corre o riso de encerrar sua gestão cassando o mandato de muitos deputados. Com uma posição de confronto, esse líder da oposição, prevê, inclusive, que sua bancada poderá "partir para violência" se os governistas tentarem "votar na marra" a mudança do regime, retirando, por exemplo, os microfones do plenário. Esse líder disse que a reação das oposições poderá ser ainda mais incisiva do que o "apitaço" de 1997, promovido pelos deputados da oposição. Foi a forma como reagiram a uma manobra do relator da reforma administrativa, Moreira Franco (PMDB-RJ), ao anular um destaque para votação em separado aprovado pelo plenário na apreciação de proposta sobre o Regime Jurídico Único dos servidores na reforma administrativa.

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