Oposição perde votos e não consegue votar CPI
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 25 (AE) - As negociações entre vereadores governistas e o Palácio das Indústrias para enterrar o projeto de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na administração pública começam a surtir efeito. O vereador Osvaldo Sanches (PPB), que ontem votou a favor da CPI, mudou repentinamente de opinião hoje. Comenta-se na Casa que o parlamentar tenha utilizado seu voto como moeda de troca com o Executivo. Sanches nega. A oposição também perdeu o voto da vereadora Myryam Athie (PMDB). Também favorável ontem, hoje ela esteve ausente.
A sessão terminou com 23 votos a favor e 16 contrários à instalação da comissão. Ontem , o placar era 25 a favor e 21 contra. Para a aprovação ou rejeição do requerimento de abertura são necessários 28 votos. Enquanto o número não for atingido, a votação fica pendente. A proposta da CPI da oposição, proposta por Roberto Tripoli (PSDB), está na pauta há duas semanas e foi votada seis vezes.
Os números de hoje mostram que o jogo agora está nas mãos do PTB. Quatro dos cinco veredores do partido abstiveram-se. A decisão de ficar em cima do muro seria uma forma de pressionar o prefeito Celso Pitta (sem partido). Segundo fontes da Casa, a intenção era ganhar o controle de uma secretaria, provavelmente a da Habitação, que estaria sendo pleiteada por esses parlamentares desde junho.
"Quem está com perspectivas ruins sobre um futuro próximo pode votar a favor", disse o vereador Bruno Feder (PTB)
que garante ser contrário à instalação da CPI, mas não vota contra. "Vamos esperar e conversar com o partido; mas pode haver surpresas." O vereador Toninho Paiva (PFL), que ontem absteve-se e poderia ser um voto a mais na disputa, não votou. Ele estava no plenário e sua atitude foi computada como falta.
Os evangélicos Celso Cardoso (PPB) e José Olímpio (PMDB)
que disseram estar descontentes com as lideranças governistas na semana passada, também ñão votaram. Para o vereador Tripoli, autor do pedido de CPI, as movimentações na sede da Prefeitura são a causa das mudanças. "As reuniões no Palácio estão sendo constantes." O presidente da Casa, Armando Mellão (PMDB), afirmou que não consegue fazer avaliações sobre o placar da CPI, mas manteve a intenção de votar a favor caso a oposição consiga 27 votos. "Serei o 28.º." Osvaldo Sanches nega qualquer tipo de favorecimento e justificou o voto por estar numa situação incômoda. "Recebi ligações no meu gabinete de colegas que afirmavam que eu estava traindo o partido." Segundo assessores, Myryam Athie justificou sua ausência alegando um compromisso em uma cerimônia.
A CPI deverá ser novamente votada amanhã. De acordo com a oposição, a intenção dos governistas é adiar ao máximo a votação final para que o poder de barganha com o Executivo aumente.


