Assunção, 30 (AE) - O governo e a oposição paraguaias começaram hoje (30) uma rara experiência no país: um governo de unidade nacional. O recém-empossado presidente Luis González Macchi desginou políticos da oposição para compor seu gabinete. Há 52 anos que isso não ocorria no Paraguai. Além dos ministérios, a oposição também obterá a vice-presidência do país
vaga há nove dias, desde o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña.
O acordo estipula que Macchi será o presidente do país. A vice-presidência ficaria para um representante do Partido Liberal Autêntico, mas com o aval do Partido Encuentro Nacional, respectivamente o primeiro e o segundo partido da oposição em tamanho.
Os resultados da votação, que seria daqui a seis meses, já estão garantidos, pois os outros partidos da oposição não possuem representação política concreta.
O argumento para esta medida é a de que o país precisa ser governado pelo produto do consenso. O critério é que o Paraguai está desgastado, e que não há recursos para uma campanha eleitoral. Esta medida, cuja implementação ainda precisa ser definida, é inédita, já que estaria fora dos prazos constitucionais.
Entre as diversas variantes especuladas, a mais forte é que somente seriam realizadas eleições para a vice-presidência. Macchi permaneceria na presidência até o ano 2003, sem necessidade de uma eleição. Macchi substituiu Raul Cubas Grau, que renunciou no domingo à noite, e que nesta segunda-feira entrou no Brasil como asilado político.
Além de Cubas Grau, o ex-militar golpista general Lino Oviedo
também recebeu asilo, só que na Argentina, graças a seus laços de amizade com o presidente Carlos Menem.
Mesmo antes do acordo sobre vice-presidência, Macchi já havia anunciado a distribuição dos ministérios. Seis ficaram com o governista Partido Colorado. Os outros quatro foram dividos pela oposição: dois com o Partido Liberal Radical Autêntico e dois para o Encuentro Nacional. Pela Associação Nacional Republicana (ANR), mais conhecida por "Partido Colorado", foram desginados: Federico Zayas, para a pasta da Fazenda. No Interior
ficará o ex-presidente da Câmarade Deputados, Walter Bower. A Educação terá como ministro Nicanor Frutos, um ex-jornalista. Ele é o atual candidato pelo setor anteriormente controlado por Argaña, para ser o presidente do partido. Com o desaparecimento de Oviedo, que era o presidente dos colorados, Frutos poderia ser ungido candidato, o que o transformaria automaticamente no candidato à presidência em 2003.
Na pasta da Defesa ficará Nelson Argaña, filho do falecido vice-presidente. Sem outros atributos que o de ser filho do vice-presidente assassinado, sua designação seria para expurgar os oviedistas das forças armadas. A cargo de Obras Públicas e Comunicações estará José Alberto Planás, antigo advogado de Argaña. A desginação de Martín Chiola para a Saúde Pública causou polêmica, já que foi "stroessnista", um militante fervoroso da época da ditadura.
Os liberais radicais autênticos ocuparão o Ministério da Relações Exteriores, com Miguel Abdon Saguier. Na Agricultura e Pecuária, Luis Alberto Wagner. Os "encuentristas" ficarão com o ministério da Justiça e Trabalho, a cargo de Silvio Ferreiyra; e a Industria e Comércio, com Guillermo Caballero Vargas, ex-candidato à presidência e importante empresário.
"Este é um novo fator na política do Paraguai", sustentou à Agência Estado o principal analista político do país Carlos Martini.
"Somente tivemos um precedente de um governo de coalizão em 1946, quando o Partido Colorado aliou-se ao Partido 3 de Febrero
hoje, um partido minúsculo". Mas, segundo Martini, essa primeira experiência não funcionou, e terminou com o golpe de Estado de 1947, que levou a uma guerra civil que arrasou o país.

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