São Paulo, 31 (AE) - O destino da vereadora Maria Helena (PL) deve ser o assunto principal da primeira sessão do ano, amanhã (1), na Câmara Municipal de São Paulo. Oficialmente, os parlamentares discutem o assunto com reserva, mas, nos bastidores, comenta-se que a cassação da parlamentar é inevitável para não comprometer ainda mais a imagem do Legislativo, principalmente em um ano eleitoral.
"A Câmara tem de pedir o inquérito para analisarmos, pois as acusações são muito graves", diz o vereador Salim Curiati Júnior (PPB). Segundo ele, é difícil afirmar se houve quebra do decoro parlamentar sem conhecer o conteúdo dos inquéritos policiais que citam Maria Helena, presa no 89º Distrito Policial (Portal do Morumbi), desde dezembro do ano passado.
A opinião é compartilhada por Miguel Colasuonno (PMDB). "A Câmara deve julgar o fato e não preparar um fato sem subsídio nenhum", diz Colasuonno. "O processo está correndo por vias legais e a Câmara deve apenas avaliar os fatos e tomar as providências cabíveis", completa. O delegado Romeu Tuma Júnior, que preside os inquéritos que envolvem Maria Helena, disse que já enviou cópias dos inquéritos para a Câmara.
"O julgamento antecipado é temeroso, pois não sabemos exatamente o que há contra ela", afirma Toninho Paiva (PFL). Segundo ele, o presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB) deve convocar uma sessão extraordinária, secreta, para discutir o assunto. Mellão não foi localizado para discutir a questão. Eleição - Entre os próprios vereadores, porém, o assunto não é visto com tanta reserva. Segundo um parlamentar que pediu para não ser identificado, a cassação de Maria Helena é inevitável. O principal argumento é que, caso preservem a colega presa e acusada de envolvimento em irregularidades administrativas, quem for disputar a reeleição terá de explicar isso para o eleitor.
Alguns admitem até a possibilidade de entrar com o pedido de abertura de uma comissão processante contra Maria Helena ainda esta semana. Um experiente vereador da bancada governista lembra que todos já carregam o ônus de não ter cassado José Izar (PFL), no ano passado, acusado de comandar um esquema de arrecadação de propinas na Administração Regional da Lapa. "A casa já pagou muito por causa de algumas pessoas", diz Edivaldo Estima (PPB), um dos poucos que defendem abertamente a cassação. "Uma ovelha ruim estraga todo o rebanho", completa.
Oposição - Os governistas também temem que a oposição se articule e apresente o pedido de abertura de comissão processante, o que, em tese, prejudicaria a imagem da bancada de sustentação do prefeito Celso Pitta (PTN). "Eles carregariam mais uma vez a bandeira da moralidade sozinhos", explica um governista. O vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT) acredita que as bancadas de oposição devem seguir este caminho. "Há indícios muito fortes de quebra de decoro parlamentar", diz Cardozo.
O PL, partido de Maria Helena, ainda estuda o destino da parlamentar. Segundo o vereador Viviani Ferraz (PL), o partido estuda a questão e deve tomar uma posição ainda esta semana. "A comissão de ética está avaliando a questão e qualquer decisão deve ser tomada por todo o partido", diz Ferraz.

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