Oposição na Câmara de SP pede CPI para investigar denúncias14/Mar, 19:45 Por Uilson Paiva São Paulo, 14 (AE) - Os partidos de oposição na Câmara de Vereadores deram entrada hoje a pedido de abertura de uma CPI para apurar denúncias da primeira-dama Nicéa Pitta. O pedido, com 23 assinaturas (o mínimo necessário era 19), acabou sendo encaminhado pelo vereador José Eduardo Cardozo (PT), depois de uma longa negociação entre os oposicionistas. Isso dá ao vereador, que já presidiu a CPI da Máfia dos Fiscais, o direito de presidir uma eventual nova comissão. O pedido de CPI poderá ser colocado em votação já na sessão de amanhã (15), desde que a oposição consiga obter mais cinco votos, o que possibilitaria a apreciação do requerimento da comissão em regime de preferência na pauta. Como a oposição só terá uma garantia de onde virão os votos da situação na quinta-feira - depois que a 4.ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça der o terceiro voto que pode condenar Pitta à perda do cargo e dos direitos políticos - a CPI dificilmente será colocada em votação amanhã (15). "Os vereadores da situação tendem a esperar o resultado da votação do Tribunal de Justiça para definir uma posição, então acredito que uma definição sobre a CPI só deve ocorrer na quinta", disse Cardozo. Outro empecilho para a oposição será o fato de a sessão desta quarta-feira ser dedicada às comemorações do Dia Internacional da Mulher, o que deve deixar muitos vereadores longe do plenário. Vaidades - A indicação de Cardozo para a presidência da futura comissão ocorreu depois de longas negociações entre PT e PSDB, mediadas pelos demais partidos de oposição (PSB, PPS, PC do B) e pelos vereadores governistas dissidentes: Mohamed Mourad e Carmino Pepe (PL) e Salim Curiati Júnior (PPB). Diferentemente dos discursos da noite de segunda-feira, quando PT e PSDB não abriam mão da apresentação do pedido - e, consequentemente, da presidência da CPI - alguns tucanos chegaram para a reunião hoje dispostos a ceder. Ao final de duas horas e meia de reunião num anexo no primeiro andar da Câmara, interrompida diversas vezes para encontros particulares entre integrantes do PT e PSDB, a oposição saiu com discurso único. "Acima das disputas eleitorais os partidos de oposição acreditam que estão a defesa da ética na política e o combate à corrupção na cidade de São Paulo", observou Cardozo. "A fogueira das vaidades, que alguns órgãos de imprensa disseram que havia, será onde vamos queimar os políticos corruptos." O vereador Roberto Trípoli (PSDB), que era cotado para uma provável presidência da CPI, falou que abriu mão da indicação "para obter o consenso das bancadas de oposição". "Não podemos rachar agora", disse. O líder do PSDB, Aurélio Nomura, garantiu que não houve pressão dos diretórios municipal e estadual do partido para a briga pela presidência. "Foi uma decisão da bancada para manter a unidade da oposição." A próxima batalha do PSDB na medição de forças com o PT no ano das eleições municipais será obter a indicação para a relatoria da futura comissão. "Acho que sou um bom nome para a relatoria", afirmou o vereador Dalton Silvano (PSDB), que também participou da CPI da Máfia dos Fiscais. "Essa CPI é uma prorrogação daquela." Ao contrário do prometido, os vereadores da oposição não entregaram hoje ao presidente da Câmara, Armando Mellão, um pedido formal para que ele se afaste da presidência e não comprometa as prováveis investigações das irregularidades descritas pela primeira-dama. Mellão hoje presidiu a sessão normalmente.

mockup