São Paulo, 18 (AE) - O placar da votação de hoje na Câmara Municipal surpreendeu até os vereadores da oposição, que se abraçaram no plenário. No início da sessão, eles admitiam a possibilidade de derrota e pensavam em esvaziar o plenário.
Segundo o líder do PT na Câmara, vereador José Eduardo Martins Cardozo, a aprovação da comissão processante foi uma surpresa. "Não esperávamos por isso, porque não sabíamos qual o vereador estava falando a verdade (sobre o voto favorável) e quem estava mentindo", disse Cardozo, que hoje completou 41 anos. "Quando os governistas começaram a dar presença em massa eu comecei a perceber que a vitória estava perto."
O vereador diz não estar seguro de que Celso Pitta perderá o cargo. "Uma coisa é o voto aberto na votação para a abertura da comissão; o que manda agora é o segundo voto, que é secreto." Para Bruno Feder (PTB), que votou a favor da abertura da comissão, foi uma vitória "inimaginável". "Nem a matemática explica o que aconteceu", disse o vereador.
Alan Lopes (PTB), que chegou a se reunir com os governistas no domingo, mas votou favoravelmente e acabou sorteado como relator da Comissão Processante, acredita que a pressão definiu o resultado. "Estava difícil prever o que iria acontecer, mas as pressões fizeram os indecisos se definirem", disse.
Na oposição, alguns vereadores acham que a votação de hoje não passou de uma "encenação política" para enterrar o impeachment de Pitta durante a Comissão Processante. Segundo um influente vereador da oposição, os vereadores governistas iriam se expor caso votassem contra a abertura da comissão. Após as investigações, o voto de cada vereador é secreto. "É nesse ponto que o prefeito começa a atuar, pois o voto é secreto e ninguém se expõe."
Foram feitas hoje duas reuniões pela oposição para definir a votação. A primeira reunião, às 13 horas, ocorreu na liderança do PT na Câmara e a segunda, às 14 horas, contou com 20 vereadores de oposição. Ao terminar, a estratégia dos vereadores da oposição era avaliar a situação dos vereadores governistas para dar presença. "A idéia era não manifestar o voto para ver a estratégia da situação", contou o vereador Aurélio Nomura (PSDB).
Salim Curiati chegou a propor o esvaziamento do plenário. "A gente não sabia se podia confiar, tivemos de contar com a sorte", disse.

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