Oposição faz duras críticas e questiona Fraga sobre ética
Brasília, 26 (AE) - O presidente indicado do Banco Central, Armínio Fraga, ouviu palavras duras na sabatina da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). O senador Lauro Campos (PT-DF) disse que a nomeação do economista para o Banco Central pode ser vista de três maneiras: "Um vampiro vai presidir um banco de sangue, a raposa vai tomar conta do galinheiro e, ainda, vão continuar amarrando cachorro com linguiça". Fraga não levantou a voz nenhuma vez durante a sabatina.
Para o senador, a pátria de Fraga "é onde estiver o dinheiro". Exaltado, Campos afirmou que George Soros, "que além de megaespeculador é megalomaníaco", é o "patrão" de Fraga.
A cada resposta do economista, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que ficou a seu lado durante toda a sabatina, demonstrava com gestos sutis, como para encorajá-lo, que ele havia se saído bem. "Ele foi muito competente", comemorou.
ACM chegou ao ponto de responder no seu lugar, quando o senador Antonio Carlos Valadares (PS-SE) insistiu para saber o que ele pensava sobre o artigo de um economista que criticava o Fundo Monetário Nacional (FMI). "Mas ele não leu o artigo", justificou o senador, querendo acabar com o assunto.
Votos - O placar da votação secreta deixa em dúvida apenas um dos votos contrários à indicação de Fraga à presidência do BC. Cinco deles têm donos: os senadores do PT Eduardo Suplicy (SP), Lauro Campos (DF) e José Eduardo Dutra (SE), além de Roberto Saturnino (PSB-RJ) e Jefferson Péres (PDT-AM), do bloco da oposição. A supeita, inclusive de ACM, é que o outro voto seja do senador Pedro Simon (PMDB-RS), da base governista.
Simon não quis dizer como votou. Ele afirmou que, se fosse Fraga, não teria aceitado o convite para o cargo e tampouco o teria convidado se fosse o presidente Fernando Henrique Cardoso. Os 21 votos favoráveis partiram de senadores de partidos aliados ao governo.
O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ) também se destacou entre os sabatinadores mais agressivos. Ele chamou Fraga de "gênio do mal" e o incluiu entre aqueles que "abandonam a ética em favor da eficácia".
"Esta Casa quer saber a opinião de Vossa Excelência sobre a ética", afirmou a líder do PT, senadora Marina Silva (AC), depois de frisar que Fraga deve ter "uma ética para o interesse público e outra para o interesse privado".
O senador Roberto Freire (PPS-PE) disse que não o considerava com reputação ilibada para assumir a presidência do banco. Justificou dizendo que ele, como especulador, "praticou atividades de cassino, que agrediram a nossa moeda".
Além de manter a frieza, Fraga se mostrou preocupado em obedecer às normas regimentais do Senado. Ele se corrigiu todas as vezes em que tratou os senadores como "senhor" em vez de "Vossa Excelência", e reiterou inúmeras vezes que a sua presença no Banco Central dependeria do voto do Senado.





