Rio, 13 (AE) - As principais capitais do País receberão os presidentes de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e nacionais do PDT, Leonel Brizola, do PSB, Miguel Arraes, e do PC do B, João Amazonas, numa caravana com o objetivo de divulgar a marcha da oposição em Brasília, marcada para 26 de agosto, e buscar a adesão da população para um abaixo-assinado que pede a denúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso por crime de responsabilidade no caso da privatização do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás).
O documente exige a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a venda do Sistema Telebrás e a instauração de uma comissão especial para apurar se houve envolvimento do presidente num esquema de favorecimento a grupos privados no processo do leilão das empresas estatais de telecomunicações. O deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), do diretório nacional do partido, disse hoje que a idéia da caravana foi discutida por representantes da frente das esquerdas realizada hoje no Rio.
Chinaglia disse que a meta da oposição é recolher 1 milhão de assinaturas para o documento pedindo a investigação do presidente por crime de responsabilidade. Segundo ele, a oposição quer reunir 100 mil manifestantes na marcha em Brasília. Vão ser mobilizados integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) para o ato na capital. Além dos quatro partidos de esquerda, o movimento conta com o apoio do PCB.
Estava prevista para hoje à noite uma manifestação contra a proposta de reforma política na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio. Segundo Chinaglia, o ato, intitulado Em defesa do pluralismo político, foi organizado para protestar contra a aprovação de projetos da reforma política, entre os quais a cláusula de barreira (exige que os partidos tenham 5% dos votos em pelo menos nove Estados) e o fim das coligações nas eleições proporcionais.
Sobre a proposta de fusão do PSB e PDT, defendida por Brizola, o integrante da executiva nacional pedetista, Carlos Lupi, disse que a estratégia dos partidos é barrar, no Senado, o projeto que institui a cláusula de barreira. Segundo ele, caso a oposição seja derrotada na reforma política, que atinge em cheio os pequenos partidos, como o PSB, os dirigentes pedetistas e socialistas deverão reunir-se para discutir a fusão das duas legendas.

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