São Paulo, 10 (AE) - A oposição ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, elegeu hoje cinco integrantes do novo Conselho Superior do Ministério Público do Estado. Apenas uma candidata da situação, apoiada por Marrey, conseguiu ser eleita. Com a apuração de 100% dos votos de 1,5 mil promotores e procuradores de Justiça, a chapa oposicionista Visão 2000 ganhou folgadamente, elegendo os procuradores Nélson Gonzaga (primeiro lugar, com 903 votos), João Garreta, Paulo Spina, Lúcia Casali e Cristina Barreira. A chapa Ética e Compromisso, da situação, elegeu a procuradora Evelise Vieira.
O Conselho Superior é órgão de vital importância para essa instituição que tem atribuição constitucional de investigar denúncias de atos de improbidade envolvendo administradores públicos. Seus integrantes, com mandato de dois anos, têm poderes para revogar arquivamentos de inquéritos civis sobre corrupção e examinar medidas adotadas pelo chefe do Ministério Público. Cabe também ao conselho preparar as listas de promoção e remover promotores.
Com o Conselho Superior ao seu lado, o procurador-geral pode dirigir o Ministério Público com tranquilidade. Quando a oposição domina o setor, o procurador-geral precisa agir com muita habilidade para evitar sérias dificuldades.
O conselho tem 11 integrantes. Todos são procuradores. O presidente é o próprio procurador-geral. O corregedor do Ministério Público faz parte da equipe. Os outros 9 conselheiros são eleitos - 6 deles pelo voto de todos os promotores e procuradores; 3 são escolhidos pela cúpula da instituição - votam apenas os 42 procuradores do àrgão Especial, entre eles os 20 mais antigos da classe. Hoje, foram escolhidos os primeiros seis conselheiros. Segunda-feira, serão eleitos os outros três.
Marrey deixará o cargo na primeira quinzena de março, quando será eleito o novo procurador-geral de Justiça. O nome mais cotado para suceder Marrey é o do procurador José Geraldo Brito Filomeno, que vinha ocupando o posto de chefe-de-gabinete da Procuradoria-Geral. Filomeno tem apoio de Marrey.
O procurador-geral é escolhido pelo chefe do Poder Executivo em uma lista tríplice. Marrey foi nomeado duas vezes pelo governador Mário Covas - em 1996 e em 1998. Protagonista de célebres disputas internas do Ministério Público no início da década, Marrey sofreu forte oposição de procuradores em seu primeiro mandato.
Mandato - Quando assumiu pela primeira vez o comando da instituição, Marrey foi criticado pelo fato de não ter sido o mais votado da lista. Mesmo assim, Covas o escolheu atendendo pedidos do procurador Marco Vinício Petrelluzzi, na época assessor especial do governador. Também pesaram na escolha de Covas o secretário da Justiça e Cidadania, Belisário dos Santos, e a suspeita de que o grupo rival de Marrey teria ligações com os ex-governadores Orestes Quércia e Luiz Antonio Fleury Filho.
A oposição a Marrey o acusa de fechar os olhos para investigações sobre o governo tucano, principalmente com relação a denúncias de supostas irregularidades na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), principal projeto social do Palácio dos Bandeirantes. Marrey rechaça as acusações e lembra que abriu processo criminal contra Marta Godinho, então secretária da Assistência Social do governo. Amiga de Covas
Marta foi denunciada por peculato e desvio de recursos públicos.
Em 1998, Marrey concorreu novamente ao cargo e surpreendeu a oposição, ganhando por uma diferença de mais de 200 votos do segundo colocado.

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