Oposição e dissidentes unem-se para barrar MP do mínimo
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Christiane Samarco 
Brasília, 17 (AE) - A união entre os partidos de oposição e os dissidentes da base aliada terá como objetivo dificultar a aprovação da medida provisória (MP) que fixa o salário mínimo em 151 reais. Enquanto isso, o Palácio do Planalto mobiliza as forças para votar o projeto que permite a criação de pisos salariais nos Estados. A votação da MP está marcada para o dia 26.
A primeira reunião do intitulado "Movimento Popular Contra os R$ 151" está marcada para as 15 horas de amanhã (18), no Espaço Cultural da Câmara. À frente, não só o PT do deputado Paulo Paim (RS), mas o PFL do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (BA), representado pelo deputado Luiz Antônio de Medeiros (SP). Além de parlamentares, estarão presentes representantes das três grandes centrais sindicais (Única e Geral dos Trabalhadores e Força Sindical), e de federações e confederações de aposentados e funcionários públicos.
"Nossa estratégia de ação será definida neste encontro, mas já é certo que não ficaremos apenas no corpo-a-corpo dentro do Congresso", antecipa Medeiros. Além de visitas a cada um dos 513 gabinetes dos deputados, o grupo planeja uma grande mobilização popular e uma atuação na base do constrangimento público.
A idéia é envolver os sindicatos no acompanhamento da tendência de voto de cada parlamentar da região onde a entidade atua visando a abrir caminho para a pressão popular nos Estados. Segundo Medeiros, os adversários dos 151 reais querem fazer painéis com a relação de parlamentares e o voto de cada um na MP do mínimo, a exemplo do que foi feito em votações polêmicas que envolviam direitos dos trabalhadores nos tempos da Constituinte de 1988.
"Vamos criar o quem é quem no salário mínimo, fazendo circular cartazes com a cara e o voto de cada um", antecipa Medeiros.
Mas não param aí os planos do movimento popular. A grande mobilização será na próxima semana, quando os dirigentes do movimento pretendem reunir aposentados de várias regiões do País num acampamento nos gramados em frente do Congresso. Isto sem falar nos telões para que o povo possa acompanhar a votação em grandes concentrações em locais públicos, como na Praça da Sé
centro de São Paulo.
A cúpula do PFL ainda trabalha em favor de um acordo com o Palácio do Planalto para evitar o confronto em plenário. Por tradição, os acertos em polêmicas como a do mínimo são fechados sempre à última hora. Neste caso, porém, Medeiros está descrente de um entendimento. "Quanto mais se aproxima a data de votação, mais fica difícil um acordo por que os ânimos se radicalizam", avalia o pefelista.


