Oposição divulga amanhã Carta de Porto Alegre
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 04 (AE) - Os sete governadores de oposição voltam a se reunir amanhã (05) para discutir a renegociação da dívida dos Estados com o governo federal e divulgar a "Carta de Porto Alegre". A reunião está marcada para as 14 horas, no Palácio Piratini, onde os convidados serão recebidos pelo governador gaúcho Olívio Dutra (PT), no fim da manhã.
A conclusão está prevista para às 16h30. São esperados os governadores de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB); do Rio, Anthony Garotinho (PDT); de Mato Grosso do Sul, José Orcírio, o Zeca do PT; de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB); do Amapá, João Capiberibe (PSB); e do Acre, Jorge Viana (PT), além de Olívio. Representantes de Estados da base governista não devem comparecer.
O chefe da Casa Civil do governo gaúcho, Flávio Koutzii, sustentou que o fato não significa nenhuma rejeição ao movimento. Ele afirmou que, por exemplo, o governador paulista, Mário Covas (PSDB), e a equipe dele, entendem ser o tema "agudo e decisivo para o seu futuro imediato" e, se até o momento, não houve uma solidariedade mais expressa, "também não manifestaram nenhuma hostilidade e isto deve ser valorizado". Ele entende que todos os governadores, da situação ou oposição, estão demonstrando "cautela, que é expressão da responsabilidade de todos e do drama que cada um tem".
Hoje, ao falar para lideranças dos partidos que formam a Frente Popular (PT-PSB-PC do B-PSB) e do PDT, no Palácio Piratini, Olívio enfatizou que "o governo federal não pode riscar do seu dicionário as palavras diálogo e negociação". Explicou que o Rio Grande do Sul deseja a repactuação da dívida com a União - 12,5% da receita líquida real, com uma estimativa de desembolso de R$ 850 milhões, em 1999 - "não apenas para ficar mais uns meses em dia, mas para cumprir o contrato".
Koutzii considerou que a sugestão de inserir a Lei Kandir, como tem citado o governo federal, no cenário das discussões é positiva.
"No ano passado, o Estado perdeu R$ 540 milhões com a Lei Kandir e teve um retorno de R$ 40 milhões", relembrou. Ele acha, porém, que a revogação ou modificação substancial da legislação é insuficiente diante dos prejuízos ocorridos e previstos para os Estados.
No fim da tarde do mesmo dia, deverá acontecer o ato "Em Defesa do Povo Brasileiro", na Praça da Matriz, diante do Palácio Piratini. Convocada pelo PT, a manifestação é de solidariedade aos governos estaduais e de repúdio ao governo federal. Uma nota do partido critica a agricultura "arruinada"
o desemprego recorde, a falência de empresas, a queda do real, a volta da inflação, entre outros ítens. A nota adverte que, neste "país quebrado", o presidente Fernando Henrique Cardoso "quer entregar o Banco do Brasil (BB), a Petrobras, a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Amazônia".
Usando uma comparação irônica, o texto lamenta a ascenção do economista Armínio Fraga à presidência do Banco Central (BC).
Para o partido, escolher o ex-funcionário do megaespeculador internacional George Soros "é como nomear um vampiro para gerenciar um banco de sangue". O ato ainda pedirá a moratória da dívida externa federal, reforma agrária e geração de mais empregos.


