Oposição deve pedir amanhã de CPI sobre denúncias
Oposição deve pedir amanhã de CPI sobre denúncias13/Mar, 21:02 Por Uilson Paiva São Paulo, 13 (AE) - Os partidos de oposição devem encaminhar amanhã (14) pedido de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar as denúncias da primeira-dama do município de São Paulo, Nicéa Pitta, ex-mulher do prefeito Celso Pitta (PTN). Em reunião que continuava até as 19h30 de hoje, representantes do PT, PSDB, PSB, PPS e PC do B - que, juntos, somam 20 votos - iriam decidir qual partido seria o autor do pedido de CPI, que, automaticamente, ficaria com a presidência da comissão, caso aprovada. Participaram também da reunião três vereadores da situação, que deverão votar favoravelmente ao pedido de CPI: Mohamed Mourad e Carmino Pepe (PL) e Salim Curiati Júnior (PPB), que, apesar de ter sido alvo das denúncias da primeira-dama, tem votado com a oposição. Mesmo com discursos em torno da união das oposições, PT e PSDB não abriram mão de apresentar o pedido. O PT entende que o vereador José Eduardo Cardozo, por ter sido presidente da CPI dos Fiscais, deveria ser indicado novamente, em razão da experiência e porque muitas das denúncias de Nicéa têm relação com os fatos investigados na antiga comissão. "Essa CPI é uma prorrogação da outra, que foi interrompida pelos governistas", afirmou o vereador Carlos Neder (PT). "Por isso, é importante que a investigação já feita tenha sequência." O PSDB agarra-se a um suposto trato para rodízio das oposições nos pedidos de comissões parlamentares. Como a CPI dos Fiscais foi presidida pelo PT, esta caberia aos tucanos. "O José Eduardo só foi presidente da CPI porque o PSDB trabalhou por isso", disse o vereador Roberto Trípoli (PSDB), que postula a presidência da nova comissão. "Agora é a nossa vez." Independentemente do autor do pedido, a oposição terá alguma dificuldade em conseguir mais cinco votos para instaurar a CPI. Apesar de alguns contarem com um "racha" na base de sustentação de Pitta, essa hipótese não é a única avaliada pela oposição. Segundo Cardozo, a estratégia será declarar impedidos de votação todos os 31 vereadores da situação que, segundo as denúncias da primeira-dama, levavam dinheiro para votar a favor dos interesses da Prefeitura. "Há uma liminar com esse precedente, dada pelo desembargador Amadeu da Cunha Bueno, afirmando que vereadores com interesse no assunto em votação devem se declarar impedidos", diz Cardozo. O impedimento, porém, teria de ser declarado pelo presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), que é um dos principais envolvidos por Nicéa no escândalo. "Como ele, provavelmente, não fará isso, só nos restará a Justiça", observa Cardozo. Outra aposta da oposição é o poder da opinião pública de mudar as convicções governistas. Hoje, numa declaração que causou surpresa, o vereador Viviani Ferraz (PL) defendeu o afastamento de Mellão da presidência da Câmara. "Acho que ele deveria se afastar, permitir que o Pierre de Freiras (PSDB) assumisse e nos deixar tocar as investigações." O vereador Milton Leite (PMDB), que foi relator da CPI dos Fiscais, disse que ainda queria "olhar nos olhos" de Mellão para se convencer de culpa. Mas afirmou que, em caso de votação por uma CPI, é a favor. "Se houver CPI, voto sim."





