Brasília, 31 (AE) - Os partidos de oposição querem tirar proveito da crise entre o PFL e o Palácio do Planalto para articular, nas próximas duas semanas, a rejeição da medida provisória (MP) que fixou o mínimo em 151 reais e obstruir a votação de outros projetos de interesse do governo, como o Orçamento. "Faremos uma guerilha parlamentar, utilizando todos os instrumentos possíveis para obstruir a pauta de votação", avisou o líder do PT na Câmara, Aloízio Mercadante (SP). "Sem o PFL, o governo não anda no Congresso; fica bem mais fácil para a oposição operar", completou o deputado José Genoíno (PT-SP).
Algumas táticas da guerrilha parlamentar estão sendo acertadas com o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e outras lideranças pefelistas. Uma delas, na quarta-feira (29), resultou no adiamento da votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que fixa em R$ 11.500,00 o teto salarial do funcionalismo. "Falamos com o PFL todos os dias", confirma Mercadante.
Dois instrumentos regimentais serão usados fartamente: apresentação excessiva de emendas e de destaques (propostas de mudança) para arrastar a votação de cada projeto e pedidos surpresa de verificação de quórum das sessões das comissões e do plenário. Foi com esses dois instrumentos regimentais que a oposição forçou uma negociação com o governo nas votações das reformas administrativa e da Previdência.
À época, as oposições apresentaram tantos destaques que, para acelerar a votação, os governistas cediam alguns pontos em troca da retirada em bloco das propostas de mudança. "Agora, contamos ainda com o PFL e com parlamentares de outros partidos do governo, especialmente os quase 140 pré-candidatos a prefeito loucos para aumentar os 151 reais", observa o líder petista.
Mercadante reconhece que a inusitada aliança com o PFL poderá durar pouco tempo. Por isso, toda a obstrução está voltada para o mínimo. Os partidos de oposição acreditam, no entanto, que, quanto mais se prolongar o embate entre os governistas, maiores as chances de avançar em outros assuntos.
"Temos chances de estraçalhar o teto dúplex de R$ 23 mil e de brigar por um reajuste para os funcionários públicos", diz Genoíno, referindo-se à parte da emenda que trata do teto do funcionalismo que permite a acumulação do salário limite com uma aposentadoria do mesmo valor.
Dentro da estratégia da "guerrilha parlamentar", o deputado Paulo Paim (PT-RS) apresentou hoje à Mesa Diretora da Câmara uma lista com 20 mil de assinaturas contra o mínimo de 151 reais, coletadas em Jundiaí, no interior de São Paulo. "Estamos abrindo uma campanha nacional com partidos e entidades sindicais e da sociedade civil para reunir 2 milhões de assinaturas pelo mínimo de US$ 100", conta. O parlamentar pretende, na próxima semana, usar a Internet para ampliar a mobilização.

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