São Paulo, 18 (AE) - Os vereadores que fazem oposição ao prefeito Celso Daniel (PT) na Câmara Municipal de Santo André já estão articulando a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Seria formada para averiguar as relações de Sérgio Gomes da Silva, ex-assessor do prefeito, com empresas que têm contratos com a prefeitura. O bloco oposicionista, formado por dois partidos (PTB e PPB), tem seis vereadores, mas precisa de pelo menos sete assinaturas para poder encaminhar o pedido de CPI para o plenário da Câmara. Depois disso, serão necessários os votos de no mínimo 11 vereadores para a instalação da comissão.
O vereador Luiz Zacarias (PTB) disse que tentará buscar apoio do PMDB e do PFL para a formação da CPI. Segundo ele, o PSDB está indeciso. Celso Daniel disse que não vai tentar interferir nas decisões dos vereadores. "Sempre tive respeito pela independência da Câmara", disse. "É natural que em período próximo das eleições eles (os vereadores) se movimentem para atacar o governo."
Amigo - O prefeito confirmou hoje ser amigo de Silva, seu ex-assessor, mas disse que desconhecia as relações comerciais dele com o empresário Ronan Maria Pinto, dono da Rotedalli Serviços e Limpeza Urbana, empresa que tem contratos de pelo menos R$ 1,7 milhão com a prefeitura andreense.
"Não posso responder pelas atividades comerciais dele (Silva), pois não há mais nenhum vínculo profissional comigo ", disse. "Ele (Silva) era meu amigo, continua sendo, mas só temos contatos raros atualmente." O prefeito afirmou que também desconhecia outras duas suspeitas envolvendo seu amigo: o fato de Silva ter morado numa casa que já foi o endereço residencial de dois empresários próximos a Ronan e de usar um carro que está em nome de Henrique Mascarenhas, empresário que comprou uma das empresas de ônibus do mesmo Ronan (a Vila Ema, na capital).
Pagamentos - A reportagem apurou que Silva recebeu cinco pagamentos das empresas de Ronan entre 1997 e 1998. Nos três pagamentos feitos em 1997, o ex-assessor de Celso Daniel recebeu R$ 142 mil da Transvipa (empresa de ônibus em São Paulo), da Coxipó (empresa de ônibus em Cuiabá) e da Rotedalli.
Nos dois pagamentos realizados em 1998, Silva recebeu R$ 130 mil da Transvipa e da Rotedalli. Ronan, o dono das três empresas, confirmou ter contratado Silva em três ocasiões. O trabalho, segundo ele, era de consultoria.
O prefeito afirmou que sua assessoria pode provar que as licitações da prefeitura estão tecnicamente corretas.

mockup