Oposição argentina pessimista com futuro econômico
Buenos Aires, 30 (AE-ANSA) - O panorama econômico que o novo presidente argentino deve enfrentar, a partir de dezembro, será sombrio, com uma recessão pior que a originada pelo Efeito Tequila, em 1995. Este é o sentimento da Aliança (UCR-Frepaso).
Seu principal economista, José Luis Machinea, disse que o país vive há 18 meses com uma atividade econômica estancada "e com tendências a declinar".
Machinea participou hoje (30), com o candidato presidencial aliancista Fernando De la Rúa, de uma reunião com membros da União Industrial Argentina (UIA). "É uma das crises mais difíceis das últimas décadas", disse Osvaldo Rial, presidente da UIA.
Os argentinos vão às urnas em 24 de outubro para escolher o sucessor do presidente Carlos Menem. Os candidatos favoritos são o aliancista De la Rúa e o oficialista Eduardo Duhalde.
O principal resultado do encontro de De la Rúa e Rial foi que, na semana que vem, novas rodadas de reuniões determinarão futuras políticas e programas de reativação caso a oposição vença.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) acha que o PIB argentino cairá 2,5% este ano e prognósticos privados falam em até 4 pontos percentuais de queda. Em 1998 o PIB cresceu 3,9%. O investimento caiu também 11,7% no primeiro trimestre e a importação de bens de capital 30% de janeiro a abril.
Os últimos índices de desocupação, cuja divulgação é esperada para julho, antecipam outra forte alta que pode chegar a 15% (quase dois milhões de desempregados). Com a crise atual, a Argentina já enfrentou sete períodos de recessão econômica desde 1970, mas todas duraram 14 meses, em média. A atual pode se estender a 21 meses, segundo Abel Viglione, da consultoria Fiel.
Regime automotriz - De la Rúa, em café da manhã com empresários do setor, pediu regras claras dentro do Mercosul que "dêem garantias ao produto nacional".
Durante o encontro com representantes da Associação de Fabricantes de Automotores (Adefa), De la Rúa disse que é preciso descentralizar a economia para enfrentar a recessão. Sobre o regime automotivo com o Mercosul, o candidato pediu regras claras e assegurou aos empresários que se vencer as eleições "a festa vai acabar" já que trabalhará "com rigor no gasto público".





