Oposição argentina é contra dolarização
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 25 (AE-DOW JONES) - "A dolarização da economia é uma idéia para o futuro, mas que não compartilhamos". Desta forma, Fernando De la Rúa, o candidato da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso à presidência do país, explicou sua posição sobre o projeto de dolarização do governo do presidente Carlos Menem. Com ironia, De La Rúa disse à imprensa brasileira em Buenos Aires que a idéia de dolarização "não é uma proposta séria".
O candidato, que atualmente é prefeito de Buenos Aires, fez as declarações durante as cerimônias de comemoração do dia da Revolução de Maio, uma das duas datas nacionais. Segundo De La Rúa, "é mais fundamental conseguir uma moeda única do Mercosul do que dolarizar a Argentina".
Com posições completamente opostas, durante a mesma cerimônia o chefe do gabinete do presidente Menem, Jorge Rodríguez, afirmou categoricamente que "o objetivo do governo é dolarizar". Rodríguez sustentou aos correspondentes brasileiros que "o ministro Roque Fernández esteve tratando desse tema na viagem que acabou de fazer pelos Estados Unidos".
"O problema não é dolarizar a economia, é eliminar o peso", afirmou aos correspondentes o Secretário de Planejamento Estratégico, Jorge Castro, o principal mentor argentino da iniciativa da moeda única para o Mercosul, e o criador da proposta de dolarizar a economia, disse à imprensa brasileira que "a Argentina já é um país dolarizado".
Castro afirmou que a característica mais importante da Argentina "não é a paridade fixa de um peso igual a um dólar: é que a Argentina possui um sistema bi-monetário. Mais de 60% dos depósitos estão em dólares.
Praticamente a totalidade dos contratos por mais de 3 anos estão em dólares. Os investimentos estrangeiros estão dolarizados...a conversibilidade econômica transformou a Argentina em um país dolarizado, na prática".
De acordo com Castro, a dolarização precisaria ser votada pelo Congresso argentino, mas destacou que existe uma outra via para conseguí-la, caso não seja possível a aprovação parlamentar
onde o governo Menem não possui maioria: "em caso de emergência, o presidente pode instaurá-la com um decreto de necessidade e urgência".
Segundo Castro, "existe uma tendência mundial à favor das moedas internacionais. O dólar possui um imenso peso na economia mundial, pois 44% das transações comerciais do mundo se fazem em dólares, embora a presença dos EUA na economia mundial se restrinja a 17%".
O secretário também sustentou que o país está tomando medidas unilaterais referentes à iniciativa de dolarizar: "pretendemos possibilitar o pagamento de impostos em dólares e a possibilidade de pagar salários públicos nesse moeda". Castro confirmou que o governo argentino está negociando a dolarização da economia com o governo dos EUA.
O vice-ministro da Economia, Pablo Guidotti, declarou há poucos dias que a dolarização pode ser feita de forma unilateral
"de um dia para o outro". Segundo Guidotti, não existe nenhuma restrição por parte dos EUA, cujo governo já disse que isso lhes parece "perfeitamente viável" e que dariam colaboração técnica.


