Buenos Aires, 12 (AE) - Após meses em um platô que o colocava em pé de igualdade a Eduardo Duhalde, o candidato do governo, Fernando De La Rúa, candidato da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso à presidência do país, está subindo nas pesquisas: segundo o Centro de Pesquisas de Opinião Pública (CEOP) De La Rúa possui 42% das intenções de voto, contra 37,1% de Eduardo Duhalde, candidato do partido peronista. O ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, candidato pelo partido que ele próprio criou, o Acción por la República (AR), permanece em terceirolugar, com 4,8%.
A pouca distância das eleições presidenciais do 24 de outubro
a vantagem de De La Rúa está sendo comemorada com suspiros de alívio, já que em maio a coalizão de oposição estava em seu pior momento, com apenas 1,6% de vantagem sobre Duhalde. Na ocasião, falava-se da ascenção irresistível de Duhalde, e o sepultamento das aspirações presidenciais da Aliança.
Mas o panorama mudou: a tentativa feita por Duhalde para diferenciar-se do presidente Carlos Menem, seu inimigo dentro do próprio partido, parece ter chegado a um limite: após criticar o modelo econômico neo-liberal de Menem, Duhalde atingiu um ponto em que para continuar crescendo terá que intensificar o confronto, colocando-o como mais opositor que a própria oposição.
Isso implicaria em uma rota de colisão com amplos setores do peronismo, desprezando o axioma de que "o peronismo, unido, é imbatível". Além disso, tem que moderar os decibéis das críticas ao presidente, já que Duhalde precisa do establishment, que ainda apóia Menem.
Esse esgotamento na diferenciação com Menem que Duhalde tenta conseguir teria sido parte do crescimento nas intenções de voto a De la Rúa, à qual soma-se um fator emocional, denominado "efeito Alfonsín", causado pelo acidente do ex-presidente Raúl Alfonsín, que o colocou às portas da morte. Desde sua internação há um mês, a imagem de Alfonsín, "pai espiritual" da Aliança, cresceu 13%.
A pesquisa indica que o peronismo é forte nas pequenas cidades do interior. No entanto, De La Rúa possui a preferência do eleitorado das cidades de mais de 100 mil habitantes, onde conseguem uma vantagem de mais de 8%. A pesquisa também indica que 69,5% dos argentinos está insatisfeito com o governo Menem.
O ex-ministro Cavallo sabe que suas chances de obter a presidência do país são escassas. Por esse motivo, já está pensando em outra disputa: declarou que se não for eleito presidente, seria candidato à prefeito de Buenos Aires nas eleições do ano que vem. Segundo ele, o peronismo o apoiará nessa empreitada. Os analistas sustentam que, como candidato a prefeito, Cavallo será um páreo duro de vencer. Gustavo Béliz, aliado político a quem Cavallo apoiava até há pouco para a prefeitura de Buenos Aires, irritou-se: "por poder, Cavallo poderia até vender a mãe", disse. MENEM QUER PRESENTEAR AVIÃO - Enquanto De la Rúa e Duhalde disputam a presidência, o presidente Menem prepara sua despedida de uma década no poder, e não lhe faltam sinais de generosidade: ele anunciou que pretende dar o Tango 02, um dos aviões presidenciais, de presente para o presidente da Bolívia, Hugo Banzer. O avião, de 30 anos de uso, está avaliado em US$ 3 milhões.
O presidente boliviano não possui um avião para viagens de longa distância, o que o leva a realizar suas viagens em aviões normais de carreira. Comovido pela situação modesta do ex-ditador, Menem lhe prometeu o Fokker 28 que integra a frota presidencial argentina, composta por um Boeing, dois Fokker, um Learjet, e um helicóptero Sikorsky "Black Hawk" igual ao utilizado pelo presidente dos EUA, Bill Clinton.
O Congresso argentino deverá aprovar este presente de Menem a Banzer.
Confiante que terá o OK parlamentar, por ordem do presidente o avião já ostenta as cores da bandeira boliviana, além da inscrição "República da Bolívia" em um de seus lados.

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