São Paulo, 08 (AE) - Vereadores da oposição reuniram-se hoje pela manhã para definir o texto do requerimento de instalação da nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O pedido - que será apresentado pelo grupo na Câmara Municipal de São Paulo terça-feira - prevê uma investigação mais ampla do que a feita durante a extinta CPI dos Fiscais. Contratações de empresas particulares e funcionários públicos municipais de todos os níveis poderão ser alvo.
De acordo com o vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), caso a nova comissão seja aprovada, irregularidades como as do extinto Plano de Atendimento à Saúde (PAS) vão poder ser analisadas. Haverá ainda a possibilidade de se examinar denúncias que envolvam servidores públicos, vereadores, secretários municipais e até o prefeito. "Pega-se tudo aquilo que não foi investigado na CPI anterior".
Além de José Eduardo Martins Cardozo, os vereadores do PT Adriano Diogo, Carlos Néder, José Mentor, Aldaiza Sposati e Vicente Cândido, Dalton Silvano (PSDB), Rubens Calvo (PSB) e Salim Curiati Júnior (PPB) já assinaram o requerimento. "Em função dos fatos graves que vêm sendo apresentados, nos reunimos e decidimos apresentar o pedido", afirmou o vereador Dalton Silvano. "São denúncias que mostram que a CPI não deveria ter sido encerrada". Indefinição - A oposição garante contar com 22 votos dos 28 necessários para aprovar o pedido. Segundo a vereadora Aldaiza Sposati (PT), o nome do presidente da nova comissão só será definido no momento em que as bancadas entrarem com o requerimento. "Esta será uma CPI das oposições e achamos a questão da presidência secundária, uma vez que existe este caráter coletivo", destacou. "A CPI não é do PT, do PSDB ou do PSB: é da cidade", acrescentou Silvano.
Se a nova comissão for aprovada, a investigação poderá começar analisando denúncias contra três vereadores: Archibaldo Zancra (PPB), Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) e Maria Helena (PL). Zancra, que detinha o controle político da Administração Regional (AR) de Vila Prudente, é suspeito de comandar um esquema que permitia construções irregulares na região. Com a complacência de fiscais da regional, os edifícios ganhavam andares além do permitido pela legislação. Há indícios também de uso irregular de áreas públicas.
O vereador Viviani Ferraz (PL) também pode ser investigado, segundo Aldaíza. Ele é suspeito de participar do esquema de loteamentos clandestinos na zona norte. A Polícia Civil vai abrir inquérito e chamar os citados na reportagem do jornal "O Estado de São Paulo", publicada hoje. "Vamos apurar até as últimas consequências", disse Romeu Tuma Júnior. "Tenho novidades sobre loteamentos em Perus". Propinas - O vereador Paulo Roberto Faria Lima, que controlava a AR-Pinheiros, é suspeito de comandar um esquema de cobrança de propinas. Em depoimento à polícia na sexta-feira, o ex-chefe de fiscalização da regional, Marco Antonio Zeppini, denunciou que fiscais eram obrigados a arrecadar R$ 120 mil por mês em propinas. O dinheiro seria utilizado na campanha do pai do vereador a deputado estadual.
Presa semana passada por porte ilegal de armas, a vereadora Maria Helena é acusada de fazer parte de esquemas de propinas de camelôs na Administração Regional da Freguesia do à. A Freguesia do à sempre foi de Viviani, que a perdeu temporariamente por rebelar-se contra o prefeito. Maria Helena, que ameçou Viviani de morte quando este recuperou a regional, também é suspeita de indicar fantasmas na Prodam e de reter parte do salário de assessoras.

mockup