Oposição admite alianças mas não abre mão de candidaturas
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terça-feira, 14 de dezembro de 1999
Por Tiago Oliveira (especial para a AE) 
São Paulo, 14 (AE) - Todos os partidos de oposição que já começaram a articular suas candidaturas à eleição para a prefeitura de São Paulo pretendem formar uma aliança de centro-esquerda, só que nenhum deles abre mão de lançar candidato próprio para prefeito no primeiro turno da eleição. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) disse que, caso houvesse uma candidatura de direita com chances de ganhar a eleição municipal em São Paulo no primeiro turno, ela até abriria mão de sua candidatura para apoiar a candidata petista Marta Suplicy. "Eu tenho responsabilidade política, eu apoiaria Marta se houvesse algum candidato de direita forte."
O apoio de Erundina a Marta foi cogitado pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, durante uma entrevista ontem no Acre. O petista disse que essa eventual aliança juntaria "a fome e a vontade de comer", referindo-se a invencibilidade dessa candidatura.
"Eu gostaria imensamente de ter o apoio da Erundina no primeiro turno", rebate Marta. Segundo a petista, o atual momento deveria unir os partidos de centro-esquerda para isolar a aliança de centro-direita que, segundo Marta, está sendo articulada pelo governador Mário Covas (PSDB) em torno do nome de seu vice Geraldo Alckmin. " As esquerdas vão dar um banho nessa eleição", garante Marta.
A atual debilidade dos partidos de direita na disputa à sucessão municipal é confirmada pelo cientista político Fernando Abrúcio, professor da Pontifície Universidade Católica de São Paulo (PUC) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "As candidaturas de centro-esquerda irão enfrentar um malufismo extremamente enfraquecido; a esquerda só perde para ela mesma", garante. Para Abrúcio, a aliança de centro-esquerda, alardeada pela oposição, não deverá concretizar-se por causa do forte personalismo político brasileiro e da corrida presidencial, para qual a municipal será um passo "decisivo".
PPS - O deputado Arnaldo Jardim, presidente do PPS paulista, garante que o seu partido terá candidato próprio e nem em nome de uma eventual aliança para a corrida ao Planalto em 2002 fará o partido mudar de idéia. A candidatura do PPS à Prefeitura de São Paulo está entre o deputado federal Emerson Kapaz e o professor Mangabeira Unger.
"O foco do partido é consolidar uma aliança de centro-esquerda, além de amenizar a tensão na relação entre o PPS e o PT, que ficou chamuscada com o crescimento de Ciro", afirma Jardim, que se reuniu nessa semana com o presidente nacional do PT, José Dirceu, para discutir um trabalho conjunto ainda que em "outro momento".
Segundo o coordenador-geral da campanha de Marta, Rui Falcão
é legítima a iniciativa de diversos partidos terem candidato próprio, mas ele descartou que a vinculação entre a sucessão municipal e presidencial tenha um impacto direto no eleitorado. "A Erundina era prefeita de São Paulo em 1989, no entanto, Lula não ganhou a eleição presidencial."
Já Erundina garante que no momento a decisão de seu partido de ter uma candidatura própria serve para o partido se firmar. "Conforme a própria história do PT ensinou, o PSB tem como decisão ter candidatura própria onde for possível." Sobre os prováveis acordos, Erundina não esconde a tentativa de aproximação do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), ainda "muito embrionária".


