Oposição a Olívio instala CPI da Ford
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 02 (AE) - A oposição ao governo gaúcho instalou hoje a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para averiguar a desistência da Ford do Brasil de construir uma montadora em Guaíba (RS). A CPI do Pólo Automotivo foi articulada por deputados do PMDB, PFL, PPB, PTB e PSDB, partidos que integraram o governo anterior, do governador Antonio Britto (PMDB).
O presidente da comissão será o deputado Manoel Maria (PTB). A relatoria ficou com o deputado Berfran Rosado (PMDB). Os parlamentares que deram sustentação a Britto no Legislativo são 35, enquanto o governo atual possui 20, vinculados ao PT, PDT, PSB e PC do B.
A Ford desistiu de instalar a montadora depois de a administração estadual ter informado que não possuia um total de R$ 418 milhões esperados pela empresa norte-americana, parte como empréstimo favorecido - R$ 210 milhões, sem correção monetária, com juros de 6% anuais e com 15 anos para pagar, sendo 5 anos de carência - e o restante sob forma de obras públicas e privadas de infra-estrutura. Uma soma de R$ 42 milhões havia sido repassada à indústria no período de Britto. O governo fez uma proposta para a permanência da montadora, mas a Ford, após seis reuniões com a nova administração estadual, retirou-se das negociações. A diferença entre o acordo original firmado por Britto e a nova oferta, do governador Olívio Dutra (PT), era de aproximadamente R$ 113 milhões.
Os adversários responsabilizam o governo, acusando-o de descumprimento do contrato. Afirmam não ter usado os R$ 200 milhões que estariam reservados para a Ford em conta vinculada do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). Querem ainda avaliar os reflexos da suspensão do projeto na geração de empregos - os 1,5 mil empregos diretos garantidos pela Ford, com salário médio de 600 reais, seriam multiplicados até 100 vezes, de acordo com algumas estimativas.
Baseado em estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo contra-argumenta que o setor automobilístico é o 34º em produção de empregos. Os primeiros lugares ficam com construção civil, agropecuária e vestuário. O governo critica as concessões, consideradas exageradas, feitas à Ford e o custo que cada vaga direta criada na montadora teria para os cofres estaduais: R$ 278,6 mil. A previsão é de que a CPI será palco de mais um enfrentamento entre as duas facções nas quais o Estado se dividiu após as eleições de 1998. Os oposicionistas, denunciando o governo por ter permitido a saída da Ford, e os defensores, criticando a guerra fiscal e o financiamento de uma das maiores empresas do mundo com dinheiro público.


