Do que depende a cura de uma doença e a recuperação de um doente? Certamente não só de ''parafernálias'' tecnológicas, mas de manter o ''olho no que é bom'', de buscar exercer o amor e de mudar o enfoque para apreciar a vida. É de tudo isso, e mais um pouco, que trata o livro ''Sentir para ajudar a Curar - Uma Experiência Apreciativa'', escrito por Tereza Hatue de Rezende, e lançado sexta-feira em Londrina.
A inspiração para a obra veio de um diário que escreveu durante os 60 dias que permaneceu nos Estados Unidos para a cirurgia e a recuperação da filha, Beatriz, de 25 anos, de um tumor vampiro na face e no pescoço. O desafio era manter elevada a autoestima e o bom humor de ambas em uma fase crucial - durante 45 dias, dos quais passou 21 no hospital, Bia não pode falar ou se alimentar normalmente.
Utilizando como base a metodologia de investigação apreciativa, criada pelo americano David Cooperhider, Tereza fez de pequenos gestos oportunidades para criar momentos de felicidade e apoio à filha. ''Adaptei o método utilizado nas empresas, inclusive na Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), onde trabalho, à nossa realidade'', ressalta.
A síntese é buscar o que é bom, ao invés dos problemas, para melhorar a qualidade do trabalho. ''Não nos apegamos às experiências negativas, ignoramos os problemas, apontamos os aspectos positivos do passado e do presente e, assim, projetamos o futuro. Temos tendência a guardar o que aconteceu de ruim, mas o método apreciativo faz você ver as coisas com outros olhos'', ensina.
E foi assim que todo dia passou a criar momentos simples e bons, que no fim se mostraram prazerosos tanto para quem cuidava, quanto para quem era cuidado. Como a idéia era estimular os cinco sentidos, começava o dia contando piadas ou histórias engraçadas, levou vasos de plantas e flores para que elas acompanhassem seu crescimento, não deixava faltar música, levava a filha para passear no parque e acompanhavam da janela do quarto o ciclo de vida de um ninho de pássaros. Ainda estimulou a filha a escrever cartas para a família e amigos no Brasil, e não deixou faltar o contato físico, com massagens e abraços. ''Mas acho que o que mais fiz foi escutar'', diz.
Resultado de uma má-formação congênita, tumores desse tipo são raros e mais ainda histórias cirúrgicas de sucesso. Por isso, a experiência de Beatriz foi registrada como um case do programa Discovery ChannelHealth, e está sendo veiculado nos canais de TV de língua inglesa. No blog de Tereza (http://angelcaregiver1.blogspot.com) também está disponível seu relato, com versões em inglês e espanhol. Em Londrina, o livro está disponível para venda na Livraria Porto.
Hoje, depois de pouco mais de dois anos da cirurgia, Beatriz está bem e trabalha como árbitra de ciclismo em Curitiba. E, depois de tudo isso, o provérbio que Tereza sempre ouviu do avô, de ascendência chinesa, faz ainda mais sentido: ''Você não pode impedir que os pássaros da tristeza te rondem, mas pode impedir que façam ninhos na sua cabeça''.

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