‘‘O equipamento de proteção individual é a melhor coisa para o funcionário mas, às vezes o serviço é rápido e a gente acaba não usando’’, confessa o soldador Valdeci Batista. A sua função exige o uso de avental de couro, óculos, protetor de ouvido e luvas. Mas a reportagem o flagrou sem as luvas e sem o protetor de ouvido. Ele colocou rapidamente os equipamentos após a chegada da equipe de reportagem. Valdeci contou que quando trabalhava em outra empresa, sofreu um ferimento por causa de uma faísca que atingiu seu olho. ‘‘Fiquei três dias com um tampão’’.
O serralheiro José Aparecido da Silva passou por um problema ainda mais grave. Quando lixava uma barra de metal sem óculos de proteção, diversas faíscas entraram em seu olho, provocando uma úlcera que quase o deixou cego do olho esquerdo. Ficou três meses em tratamento, afastado da função. ‘‘Naquele tempo, eu achava que era mais esperto que a faísca e só fechava o olho’’, conta.
Ele, que trabalha há 32 anos como serralheiro, disse que quando começou na profissão, faltavam equipamentos e os trabalhadores não tinham qualquer tipo de treinamento preventivo. Questionado se os equipamentos são desconfortáveis, José Aparecido dá a dica: ‘‘Tudo é o costume e a pessoa tem que se acostumar a usar para ver que é seguro; só quando acontece alguma coisa é que a gente percebe o perigo’’.
O proprietário da Serralheria Jacali Ltda, Salvador Vicente Filho, garantiu que fornece todos os equipamentos de segurança exigidos por lei, ‘‘mas ainda assim tem funcionário que não usa’’. Segundo o empresário, nos últimos 12 anos houve apenas um registro de acidente, provocado por descarga elétrica. (L.A.)

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