A falta de pagamento levou um grupo de 20 operários da construção civil, familiares e representantes sindicais a protestar em frente à casa do patrão, ontem de manhã, em Londrina. Eduardo Gonzaga de Oliveira, proprietário da Rolan Base Construções Ltda, e seus vizinhos do Jardim Caravelle (Zona Leste) acordaram com os desabafos emitidos por auto-falantes, gritos de revolta e grandes faixas que reivindicavam o cumprimento dos acordos trabalhistas.
Segundo Denilson Pestana, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Londrina e Região, os trabalhadores foram contratados pela Roland Base para construir um silo de grãos em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). Eles trabalharam entre 60 e 120 dias, com salário médio de R$ 600,00, pago parcialmente. O servente de pedreiro Ildefonso Mariano Filho, por exemplo, afirma que recebeu apenas as três primeiras quinzenas. ''Estou com a água cortada por falta de pagamento e, em breve, minha família ficará sem energia elétrica pelo mesmo motivo. Até o momento, não encontrei outro emprego e para comer dependemos da assistência da prefeitura''.
Ainda conforme Pestana, a construtora paralisou a obra no início de março sem apresentar justificativas e, em conjunto com o sindicato, contabilizou a dívida com os trabalhadores que, no total, receberam cheques no valor de R$ 19 mil. ''O problema é que a empresa sustou todos antes que pudessem ser descontados''.
Os trabalhadores foram à delegacia de Rolândia, onde a construtora é registrada, para oficializar a reclamação. A reportagem da Folha contatou Oliveira por telefone, que não comentou o assunto. ''Prefiro que falem com meu advogado que, neste momento, está incomunicável. Vocês poderão encontrá-lo somente na segunda-feira'', sugeriu.

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