Operário de 66 anos não tem direito nem à menor aposentadoria
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sexta-feira, 29 de outubro de 1999
Por Denise Neumann, Enviada Especial 
Buenos Aires, 30 (AE) Aos 66 anos, Pedro Italo não tem direito nem à aposentadoria mais baixa paga na Argentina, que é de 145 pesos, valor congelado há nove anos.
Trabalhador da construção civil, trabalhou a vida toda "em negro" (sem registro). "Tenho só dois anos de emprego formal e aí dizem que não é suficiente para me pagarem a aposentadoria", conta. Quem sustenta a casa é sua mulher, Dina Ruiz, que trabalha, também de forma informal, em uma fábrica de frutas secas.
Quando consegue, faz algum serviço de construção, mas confessa que o corpo já não ajuda. "Antes o emprego da minha senhora era correto, mas aí a fábrica quebrou. Agora reabriu, mas contratando todo mundo sem os direitos."
Morador do bairro Maria Helena, em La Matanza, uma das cidades mais pobres da Grande Buenos Aires, Italo não reclama das condições de vida.
Gostaria de ter sua aposentadoria, à qual acha que tem direito após mais de 50 anos de trabalho. "Mas vamos levando, o que minha senhora ganha dá para comer e pagar os 12 pesos do terreno onde está nossa casa", conta.
A casa, diz, ele mesmo construiu. "Não gastamos muito, não temos luxo." Os dois filhos mais velhos já se foram. Um é metalúrgico da Mercedes-Benz, "não ajuda e também não incomoda".
O outro trabalha na prefeitura. Quem ainda vive com ele é a filha mais nova, Faustina, de 18 anos, que já parou de estudar e está trabalhando. Do novo governo, Italo não espera muito. Está um pouco cansado, diz.
Na quarta-feira ele foi, com os vizinhos, participar de uma passeata por "pão e trabalho" no centro de Buenos Aires. Muitos dos vizinhos, aposentados, estavam ali para pedir que o governo corrija o valor da aposentadoria. Para ele, os 145 pesos seriam "suficientes".


