Operadores crêem que Fed elevará taxas amanhã pela última vez no ano
Nova York, 23 (AE-DOW JONES) - Os mercados de ações e juros reagiram nesta segunda-feira (23) ante a expectativa de o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevar amanhã os juros primários em 0,25 ponto porcentual, pela segunda vez em oito semanas. Mas a maioria dos operadores está convencida de que será o último aumento do ano.
Dos 30 operadores autorizados a negociar diretamente com o Fed
apenas um acredita que não haverá reajuste na taxa, de acordo com pesquisa realizado por agências de notícias com sede nos Estados Unidos.
Uma eventual alta nos juros do overnight elevaria as taxas para 5,25%, fazendo com que a média ficasse em torno dos mesmos 5,25% verificados em quase toda a década de 90. O Comitê de Mercado Aberto do Fed (FOMC) reúne-se amanhã para avaliar os dados macroeconômicos recentes e decidir o futuro dos juros.
Convencidos de que a eventual alta seja a última do ano, os investidores asseguraram hoje valorização de 1,79% no Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, já na metade do pregão.
As estatísticas recentes, diziam os operadores, apontavam para a aceleração no aumento do nível de emprego em julho e o rápido crescimento dos salários dos horistas. Além disso, a produção industrial expandiu-se pelo sexto mês consecutivo em julho e, pela primeira vez em 11 meses, as fábricas retomaram as contratações.
Esse cenário - aliado ao fato de que as vendas de moradias aumentaram em junho, elevação essa que foi seguida de alta também nas vendas de automóveis em julho - foi suficiente para convencer os investidores de que o Fed vai certamente aumentar o custo do dinheiro. A principal dúvida, porém, é se o Fomc vai ou não dar um sinal de qual será o rumo dos juros no futuro próximo
anunciando a chamada "tendência" de baixa ou de alta.
Outra incógnita é a trajetória da economia norte-americana no segundo semestre, pois até agora a expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país é de 3,3% no terceiro trimestre. Esse resultado, porém, deve recuar para cerca de 3% nesse período.
As principais causas de apreensão neste momento, contudo, são os sinais de retomada do crescimento nas outras economias mundiais. "Quando combinamos forte crescimento da demanda interna com a expansão da procura também nas economias em recuperação, aumentam os riscos pressões iflacionárias", afirmou Robert Parry, presidente do escritório regional do Fed em São Francisco, hoje.
Todos os mercados de ações fecharam hoje em alta, nos diversos pontos do planeta. Na Europa, o Índice Financial Times da Bolsa de Londres avançou 2,29%; o DAX, de Frankfurt, subiu 0,91%. Na ásia, as 225 ações que compõem o Índice Nikkei ganharam 0,75%.





