São Paulo, 02 (AE) - As nove empresas concessionárias que exploram as rodovias paulistas privatizadas tiveram um desempenho positivo no primeiro ano de concessão. Da data da assinatura dos contratos de licitação até maio último, de acordo com dados fornecidos pelas próprias operadoras, nenhuma delas fechou o período com o caixa no vermelho. Elas registraram um fluxo de caixa positivo de R$ 41,2 milhões, segundo dados consolidados pela Comissão de Concessões da Secretaria Estadual de Transportes. No entanto, de acordo com as projeções das empresas, a operação de rodovias só será lucrativa a partir do nono ano de concessão.
A receita bruta com a arrecadação de pedágio nos nove lotes de rodovias privatizadas foi de R$ 651,5 milhões, ainda considerando números do primeiro ano de concessão, até maio último. Até que outras formas de geração de receita sejam regulamentadas, como o uso de outdoors, por exemplo, 100% da receita das empresas concessionárias vira dos pedágios. São, no total, 47 postos de pedágios distribuídos nos nove lotes de rodovias privatizadas. Além da receita de pedágio, o ingresso de capital foi composto pelo investimento das empresas, próprio e de financiamento. Neste primeiro ano de concessão, as nove concessionárias aplicaram R$ 537,7 milhões, sendo R$ 140,9 milhões com recursos próprios e R$ 396,8 milhões com capital de terceiros. No total, a entrada de recursos somou R$ 1,189 bilhão. Como o desembolso total, das nove juntas, foi de R$ 1 148 bilhão, o saldo foi positivo (R$ 41,2 milhões).
Os desembolsos ocorreram por conta do pagamento do ônus da concessão, despesas operacionais e impostos, amortizações, juros
e investimentos em obras (ampliações e manutenção das estradas). É do ônus fixo, R$ 255,1 milhões, que o governo paulista retira recursos para subsidiar descontos de até 20% na tarifa de pedágio para o transporte de carga. Desde novembro de 98 o governo estadual gasta cerca de R$ 1,2 milhão/mês com esse desconto.
Além do desembolso com o ônus, um total de R$ 272,7 milhões, os maiores volumes de saída de dinheiros ficam por conta das despesas operacionais (R$ 287,0 milhões), investimentos em obras (R$ 285,4 milhões) e amortizações (R$ 233,6 milhões). O total de investimentos previstos nos próximos cinco anos é de R$ 3,43 bilhões, nos nove lotes. Nos próximos 20 anos, duração do programa paulista de concessão, o total previsto é de R$ 5,17 bilhões.
A primeira fase do programa de concessão estadual das rodovias tem 12 lotes, nove deles já foram contratados, somando um total de 2.338 quilômetros de estradas já licitados e sob exploração privada. Entre setembro e outubro próximos, o governo paulista deve assinar os últimos três contratos de licitação, acrescentando 1.179 quilômetros à malha privatizada. Esses últimos contratos prevêm um investimento total de R$ 500 milhões nos próximos 20 anos e acrescentarão oito novas praças de pedágio.
TABELA COM AS TRÊS MAIORES CONCESSÓES ESTADUAIS EM SP - Concessionária Autoban (lote 1) . seis postos de pedágio . arrecadação*: R$ 247,0 milhões . região de Campinas . obra principal: prolongamento da Bandeirantes até Limeira . investimentos previstos**: R$ 1,239 milhões . rodovias: Anhanguera (SP-330) e Bandeirantes (SP-348) - Concessionária Ecovias (lote 22) . sete postos de pedágio . arrecadação: R$ 143 1 milhões . região da Baixada Santista . obras principais: construção da pista descendente da Imigrantes e da marginal norte da Anchieta . investimentos previstos: R$ 1,0 bilhão . rodovias: Cônego Domênico, Manoel da Nóbrega (SP-55), Anchieta (SP-150) e Imigrantes (SP-160) - Concessionária Viaoeste (lote 12) . três postos de pedágio . arrecadação: R$ 88,9 milhões . região de Sorocaba . obras principais: construção das marginais leste e oeste (SP-280), duplicação Cotia-Araçoiaba da Serra (SP-270) . investimentos previstos: R$ 788 milhões . rodovias: Santos Dumont (SP-75) e Castello Branco (SP-280) (*) receita bruta com arrecadação de pedágio do início da concessão até maio último (**) prazo de 20 anos

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