São Paulo, 28 (AE) - A mudança da política cambial deve reduzir pela metade o crescimento do turismo para o exterior, trazer dificuldades para as operadoras endividadas em dólar, mas também deve beneficiar o mercado de turismo interno e incrementar as viagens de negócios por causa de um aumento das exportaçäes. A avaliação é do vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo (Abav), Guilherme Visnevski de Carvalho.
Ele também considera possível que os hotéis internacionais, que já usavam o dólar para operar, reduzam seus preços para não perder turistas internos. "Quem tiver tarifa em real vai ser mais competitivo neste momento," diz. Mas ele também acha possível que alguns prefiram trabalhar com o dólar como base e atendendo predominantemente o turista que vem de fora.
Segundo Carvalho, o turismo internacional, que teve no ano passado um aumento de 15%, deve ter a partir de agora uma queda no seu ritmo de crescimento de 50% para 7,5%. Carvalho acredita também que entre as grandes operadoras (cerca de 60 em São Paulo), aquelas que trabalham com pacotes internacionais e têm dívidas em dólar vão passar por um período difícil, principalmente depois do Carnaval, com a entrada da baixa estação. "As que estão muito endividadas correm o risco de quebrar", diz.
"O cenário de incertezas também vai trazer problemas para as agências pequenas que dependem de vendas diárias." A situação deve ser melhor para o turismo nacional e em quem tem seu foco de atuação voltado para negócios. A expectativa da Abav é que o turismo interno mantenha o crescimento do ano passado, em relação ao anterior, em torno de 25%. As exportaçäes, na análise do presidente do Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais (Favecc), Amauri Caldeira, devem crescer este ano com a alta do dólar, incrementando o turismo de negócios. Segundo ele, já há um movimento das pequenas e médias empresas nesta direção. O turismo de negócios movimentou o ano passado US$ 1,5 bilhão e registrou crescimento de 4%.
A estimativa de crescimento para este ano, feita antes da mudança cambial, era de repetir o crescimento do ano anterior. Caldeira mantém a previsão.

mockup