Operadoras de Saúde vão investir em prevenção
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quarta-feira, 20 de julho de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- As operadoras de planos de saúde do Paraná e Santa Catarina estão se organizando para tentar inverter a atual cultura de se tratar doenças, para investir em prevenção. A idéia é fazer um questionário para todos os usuários de planos de saúde, detectando os pacientes que têm potencial para desenvolver doenças crônicas. Estes pacientes terão atendimento individualizado e participarão de palestras e seminários com dicas de prevenção de doenças sérias como obesidade mórbida, hipertensão, diabetes, problemas cardiovasculares, dependência química e tabagismo.
A experiência já está sendo aplicada em São Paulo, onde as operadoras estão conseguindo sucesso depois de dez meses de implantação do Programa de Prevenção de Doenças. De acordo com o médico especialista em medicina preventiva, Ermínio José Moura, os resultados foram acima dos esperados. O número de consultas, por exemplo, caiu 48,64%; de exames reduziu 37,53%; e de internações, 46,56%. ''Isso demonstra que estamos no caminho certo. Se buscarmos prevenção, teremos mais facilidade de reduzir custos e equilibrar os caixas das operadoras de planos de saúde, que estão vivendo déficits consecutivos desde 2003'', disse Moura.
Um dos programas paulistas é com os diabéticos, que acompanham pela Internet como está a glicemia e as providências que devem ser tomadas. Um telefone 0800 tem sido colocado à disposição em casos de dúvidas urgentes. As consultas são marcadas a cada três meses e o médico tem o acompanhamento on-line de tudo o que o paciente viveu durante o período em que não fez consultas. ''Existe um controle virtual. Isso dá qualidade no atendimento e reduz custos'', lembrou. As operadoras de todo o Brasil reclamam que estão tendo déficits todos os anos por causa do uso desnecessário de consultas e exames, até por conta do envelhecimento da população brasileira.
A queda no faturamento chega a -3,5% (de 2003 para cá). Em 2002, o superávit foi de 9,4%. Os altos custos estariam gerando o fechamento de várias operadoras brasileiras. Em 2000, cerca de 5 mil operadoras de medicina de grupo funcionavam no País. Atualmente, são 1,7 mil operadoras. ''Temos que fazer algo urgentemente, sob pena de termos no futuro mais de 40 milhões de usuários tendo que migrar para o Sistema Único de Saúde (SUS) por falta de opção de atendimento'', disse Joelson Samsonowski, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo dos estados do Paraná e Santa Catarina (Abramge PR/SC). Nos últimos cinco anos, cerca de 6 milhões de antigos usuários dos planos de saúde migraram para o SUS. O programa vai ser aplicado imediatamente nos dois estados do sul e os resultados são esperados (redução de custos) até o final de 2006.
De todos os atendimentos atuais no Paraná e em Santa Catarina, 80% são de sinistralidade (doenças crônicas). ''Vamos investir na prevenção. As pessoas têm que ter mais saúde. Precisam saber a importância de ter qualidade de vida, alimentação saudável e exercícios físicos'', ponderou Samsonowski. São 380 mil usuários de planos de saúde no Paraná, em 21 operadoras de medicina de grupo (Curitiba tem 12; Londrina, três).


