Operadoras de celular temem confusão com código de telefonia fixa
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 7 (AE) - As empresas de telefonia celular vão promover uma campanha nacional para esclarecer seus usuários sobre o início na competição nas ligações interurbanas. Como nada será alterado na maneira de se fazer interurbanos pelos telefones celulares, de acordo com as regras do setor, as operadoras temem que seus clientes tenham problemas nos primeiros dias da competição na rede fixa, podendo até comprometer a qualidade das ligações celulares.
"Hoje está acontecendo uma reunião no sentido de organizar uma campanha de informação ao mercado, explicando estes aspectos", revelou o presidente da Telesp Celular, José Manuel Romão Mateus.
A Associação Nacional dos Prestadores de Serviço Móvel Celular (Acel) conheceu as peças publicitárias, que serão aprovadas depois pelos associados. Apenas a propaganda promovida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) cita o fato de as mudanças nos interurbanos não afetam os telefones celulares.
Segundo o diretor administrativo e financeiro da Acel, Aimé Luiz Ramos Filho, as campanhas publicitárias feitas pelas empresas privadas não explicam aos usuários que as medidas são restritas aos telefones fixos.
As ligações interurbanas feitas por celulares serão interceptadas por gravações, caso um usuário inclua quando for teclar o número desejado os dois algarismos correspondentes ao código de alguma operadora.
O universo de aparelhos celulares deverá atingir 10 milhões de acessos instalados até meados do próximo mês, o que já representa quase a metade dos cerca de 25 milhões de telefones fixos. Técnicos do setor temem que a desinformação e a natural dificuldade de a maioria da população realizar ligações interurbanas pelo novo método nos primeiros dias possam gerar congestionamento nas chamadas de telefones fixos e celulares.
A partir do dia 3 de julho, o usuário de telefone fixo terá que decorar o código das operadoras de longa distância nacionais que poderão fazer as ligações entre todas as três áreas de concessão existentes no País, ou seja, a da Tele Norte Leste, da Telesp e da Tele Centro Sul. Atualmente apenas a Embratel (21) faz este serviço, mas no final do ano entrará em operação a Bonari (23). Estas também serão as únicas que poderão fazer ligações para fora do País.
O brasileiro terá de saber também quais são os estados que fazem parte de cada área de concessão. Afinal, dentro de sua região, o usuário poderá escolher uma das empresas aptas a fazer seus interurbanos.
Dentro do estado de São Paulo, por exemplo, poderá ser mais barato usar a Telefônica (15) ou a Megatel (ainda sem número e que deve entrar em operação até dezembro), do que a Embratel ou a Bonari.
Da mesma forma, mudam as ligações a cobrar feitas por telefones fixos, que também deverão incluir a escolha da operadora. Nas chamadas a cobrar em uma mesma cidade, o usuário não escolherá quem fará a ligação e por isto irá digitar o número "90" depois de discar o código 9-0, que tradicionalmente indica uma ligação a cobrar.
Já quem recebe uma telefonema a cobrar saberá, por meio de uma gravação, qual a operadora que está fazendo a ligação. Se não concordar em pagar a tarifa cobrada pela empresa poderá não aceitar a ligação.


