Curitiba - O uso do vale-pedágio ainda é muito restrito e beneficia um número muito pequeno de caminhoneiros. A falta de fiscalização é a principal causa dessa situação, de acordo com transportadoras, concessionárias de rodovias e caminhoneiros. Para tentar mudar um pouco esse quadro, a Visa do Brasil realiza hoje em Curitiba uma apresentação sobre o Visa Vale Pedágio, o cartão autorizado pelo governo federal para o pagamento das tarifas.
Desde o final de outubro de 2002, a responsabilidade das tarifas de pedágio é dos embarcadores. Eles devem fornececer aos caminhoneiros e transportadoras o vale-pedágio, em forma de papel ou em cartão eletrônico, por determinação da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT). Mas a realidade é outra. Os caminhoneiros que utilizam vale-pedágio nas praças da concessionária Rodonorte, por exemplo, empresa que administra quase 500 quilômetros de rodovia no Paraná, representam pouco mais que 1% do fluxo total de caminhões.
O cartão da Visa existe desde 2001, mas sofreu modificações para atender às determinações da ANTT. De acordo com o gerente de produto da Visa do Brasil, Percival Jatobá, as transações com o cartão estão bem abaixo das expectativas. No mês passado, por exemplo, a empresa realizou apenas 150 transações, o que gerou um faturamento de cerca de R$ 1 milhão. Mas o mercado potencial anual está estimado em R$ 1,5 bilhão. ''Pretendemos terminar o ano com pelo menos 20% desse valor'', relatou.
Para Jatobá, o vale-pedágio deve ser mais procurado nas próximas semanas. Nesta quinta-feira, a ANTT vai firmar um convênio com o governo de São Paulo para que os órgãos daquele estado façam a fiscalização. O Rio Grande do Sul já assinou convênio no ano passado. Entre os estados que mais cederam em concessão as rodovias estaduais, apenas o Paraná não assinou convênio com a ANTT.
''A ANTT já solicitou ao governo estadual que aceite a delegação da fiscalização, mas ainda não aconteceu nada'', afirmou o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam), Diumar Bueno. Ele estima que apenas entre 10% a 15% dos caminhoneiros do Estado, cerca de 80 mil, recebem o vale-pedágio.
O diretor-executivo da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, também disse que o problema do vale-pedágio só será resolvido com fiscalização. ''Falta o cumprimento da lei'', declarou.
As concessionárias de rodovias do Paraná devem oferecer nos próximos meses o vale-pedágio regional, informou o diretor da Associação das Concessionárias de Rodovias do Brasil no Paraná (ABCR-PR), João Chiminazzo. Para ele, isso vai ajudar a difundir o vale-pedágio, porque haverá mais opções e locais de compra. ''Mas toda lei precisa ser fiscalizada para ser cumprida'', ponderou.
A assessoria da ANTT informou que está em negociação com o governo do Paraná. O secretário de Transportes, Waldyr Pugliesi, não retornou o pedido de entrevista ontem.

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