Operador de máquina é morto ao procurar irmão
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sábado, 06 de novembro de 1999
Por Fabiana Gitsio 
São Paulo, 07 (AE) - Há 15 dias o operador de máquinas Juscelino Luís de Assis, de 35 anos, recebia um telefonema desesperado da Bahia. Era seu pai, implorando que ele acolhesse em sua casa, em Diadema, o irmão, Antônio Marcos, de 17, que já vivia com parentes em Guaianases, em São Paulo. O rapaz não queria trabalhar e estava usando drogas. Na madrugada de hoje, Assis, preocupado porque Antônio Marcos não chegava do forró, foi procurá-lo. Acabou morto, com o irmão e Júlio César da Silva
jurado de morte.
A empregada doméstica Rosilene, mulher de Assis, mãe de dois meninos, contou hoje, no velório, que a decisão de receber o cunhado foi fácil. "Já que você aceita os meus por que eu não aceitaria os seus?", foi o que disse ao marido. A esperança do casal era de que Antônio Marcos arranjasse serviço na fábrica de tecidos onde Assis trabalhava. Em vez disso, o adolescente passou a andar com Silva, de 23 anos, que devia dinheiro a traficantes.
O crime ocorreu às 5h37, no Jardim Cazuza, que é um forte ponto-de-venda de crack, segundo policiais do 1.º Distrito Policial de Diadema, onde a chacina foi registrada. Momentos antes, Assis chegara do trabalho. Rosilene ainda insistiu para que o marido se deitasse.
Paredão - Ao chegar na Rua Pau do Café, bem próximo de onde mora, já encontrou o irmão e Silva deitados junto de um paredão, sob a mira de armas. Vizinhos escutaram um recado para Silva: "Chegou a sua vez Júlio." Assis tentou correr, mas foi baleado na perna direita e nas costas e tombou quando tentava entrar em casa. Foi ele quem recebeu a maioria dos 18 disparos.
Os bandidos fizeram questão de pôr os corpos dos dois rapazes bem em frente da casa de Silva, na Rua São Cosme. Sua mãe, a ambulante Elza do Carmo Melo, disse não saber do envolvimento do único filho com drogas. Já Cristina, grávida de oito meses, que perdeu os dois irmãos, estava revoltada. "Foi por causa de Silva que eles se foram", disse. "Não dá para saber quem fez isso; podem estar até no velório."


