Rio, 26 (AE) - O operador de mercado Alberto Antunes confirmou hoje em depoimento à Polícia Federal que ouviu o dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, dizer que tinha informações do Banco Central de que a banda cambial só mudaria em fevereiro. Antunes foi uma das pessoas apontadas pela revista Veja como fonte da reportagem que apontou suposto vazamento de informações privilegiadas sobre o câmbio, a partir do BC. O operador, porém, negou ter ouvido qualquer menção à compra de dados sigilosos. Hoje também, a Justiça quebrou o sigilo dos disquetes apreendidos pela PF nos bancos.
A Polícia Federal agora quer inquirir Luiz Antônio Bragança, que acompanhou Cacciola em uma viagem a Brasília para reivindicar ao então presidente do BC, Francisco Lopes, auxílio para a instituição financeira, que estava em dificuldades por causa da alta do dólar.
Outro a ser ouvido pela PF será o irmão de Luiz, Sérgio Bragança, sócio da Macrométrica, empresa de consultoria que pertenceu a Lopes. O Ministério Público Federal suspeita que o então dirigente do BC continuava como sócio oculto da consultoria.
Segundo fontes com acesso à investigação, os policiais federais pretendem voltar a ouvir pessoas que já prestaram depoimento no inquérito. Um dos possíveis reinquiridos será Rubem Novaes, apontado na reportagem como intermediário do suposto comércio de informações privilegiadas e que dissera à PF que não trabalhava com Cacciola há nove anos - afirmação que, conforme se comprovou depois, não era verdadeira.
Antes de tomar novos depoimentos, porém, a PF quer examinar, com cuidado, alguns documentos apreendidos, para se municiar com dados e preparar novas perguntas.
Procuradoria - A procuradora da República Raquel Branquinho informou hoje que a Justiça já quebrou o sigilo dos disquetes recolhidos nas operações feitas pela Polícia Federal por determinação do Ministério Público Federal na semana retrasada. Segundo ela, os procuradores federais requisitaram à 6ª Vara Federal o encaminhamento do material de informática e de documentos apreendidos, inclusive livros contábeis, ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília, para que sejam submetidos a perícia.
"A partir da unificação das investigações no Rio de Janeiro, várias diligências vão ser processadas", explicou Raquel, que passou boa parte do dia reunida com os outros procuradores que cuidam do caso, Davy Lincoln e Bruno Caiado. Ela também informou que o MPF entrou em contato com a Secretaria da Fazenda do Município do Rio, avisando-a da suspeita de sonegação fiscal que pesa sobre os bancos Marka e FonteCindam. "É só um procedimento corriqueiro de informar as demais secretarias, para que adotem as providências que julgarem cabíveis", explicou.
Mais cedo, Lincoln afirmou que o MPF queria unificar todas as informações contábeis das duas instituições sob suspeita. "Há suspeita de que eles tenham declarado informações diferentes para órgãos diferentes", disse ele. O procurador negou que se tratasse de uma devassa fiscal, mas apenas de uma ação para checar números apresentados pelos banqueiros sobre itens como lucro, faturamento etc. Lincoln explicou que os procuradores federais alertaram ontem o Ministério Público Estadual sobre a possibilidade de sonegação por parte do Marka e do FonteCindam. No âmbito municipal, esse é um assunto privativo do MPE.

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