Operações do fundo de pensão da Petrobrás são investigadas
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Suely Caldas 
Rio, 01 (AE) - As operações financeiras e de investimento efetuadas pela gestão de Francisco Gonzaga de Oliveira na presidência da Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás) passam, no momento, por detalhada investigação determinada pelo novo presidente do fundo, Carlos Henrique Flory, que assumiu o cargo há duas semanas. Caso sejam constatadas fraudes, irregularidades ou má fé, os diretores e gerentes responsáveis serão punidos com demissão por justa causa e Gonzaga de Oliveira, afastado da presidência há um mês depois de seis anos no posto, responderá a ação na Justiça para devolver ao fundo recursos eventualmente fraudados.
"Sei que será difícil comprovar irregularidades na compra de precatórios, se nem o atual e o ex-prefeito de São Paulo foram até hoje responsabilizados, mas as operações da Petroflex e da Teletrust serão investigadas à fundo", prometeu Flory hoje.
Em outra ação que visa a recuperar a credibilidade da Petros e retirar o véu de suspeição de suas aplicações no mercado, Flory decidiu suspender novas operações de investimentos por três meses, até organizar o portfólio financeiro e dominar o leque de aplicações de seu patrimônio, hoje avaliado em R$ 5,3 bilhões. "Vamos estancar a hemorragia; não há mais espaço para aventuras de comprar shoppings centers. Parar de fazer besteira já é um grande avanço", afirmou.
Para conduzir a auditoria interna na Petros, o novo presidente trouxe a economista Eliane Thompson Flores, ex-diretora da Secretaria de Defesa Econômica (SDE), para ocupar a diretoria financeira do fundo.
Para Flory e Eliane assumirem foi necessário mudar o estatuto da Petros no item que restringia os cargos de diretores a funcionários da Petrobrás. Flory recebeu também uma série de denúncias do curador Ricardo Maranhão, ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet) e também deputado federal (PSB-RJ), e prometeu apurá-las. Na conversa, Maranhão se disse preocupado por ter ouvido boatos de que o novo diretor financeiro viria do Banco Opportunity.
"Só se fosse maluco", respondeu Flory, referindo-se à decisão de Gonzaga de Oliveira de entregar ao Opportunity a gestão da carteira de investimentos da Petros. Hoje, Flory lembrava que esta terceirização foi desastrosa para a Petros, obrigada a pagar altíssimas taxas de administração sem rentabilidade equivalente.
A operação foi tão mal falada pelo mercado e pelos participantes do fundo, que Gonzaga foi obrigado a suspender o contrato com o banco. Depois disso as aplicações mobiliárias (ações, debêntures, títulos, etc) voltaram a ser geridas pelo gerente financeiro da Petros, "o único que, estranhamente, respondia diretamente ao presidente, sem passar pelo diretor financeiro", conta Flory.


