Operações de comando contra Mc Donalds revelam o antiamericanismo dos agricultores franceses
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sexta-feira, 20 de agosto de 1999
Por Reali Júnior, Correspondente 
Paris, 21 (AE) Os agricultores franceses, produtores de mostarda, de queijo roquefort, de foie gras, fortemente taxados pela administração norte-americana (100 %), em represália à proibição de importação de boi criado com hormônio nos EUA , decidiram reagir multiplicando suas ações de comando contra verdadeiros símbolos da indústria norte-americana, a empresa Coca-Cola e a rede de restaurantes "fast food" McDonalds.
Diversas unidades dessa cadeia foram destruídas durante o verão ou ameaçadas pelos comandos de trabalhadores que se dizem prejudicados pelas recentes decisões da administração de Washington.
Paralelamente, produtores de frutas e legumes, engrossam essas operações em toda a França, mas tendo como alvo as grandes centrais de distribuição e cadeias de super e hipermercados que impõem baixos preços na produção, como Auchan, Casino e Carrefour, inviabilizando o resultado do trabalho dos agricultores.
Esse tipo de luta deverá se intensificar a partir de setembro, após o fim das férias de verão, constituindo uma preocupação suplementar das autoridades governamentais.
A dupla etiquetagem de preços, decidida durante a semana, obrigando o comerciante a indicar o preço de custo e de venda do produto, isto é, sua margem de lucro, não parece ter dado os resultados desejados pelo Ministério da Agricultura.
Essas duas ações constituem o exemplo mais claro das difíceis relações da administração francesa com o setor agrícola que sempre se manifesta de forma violenta, através operações pontuais.
Muitas vezes, destruindo parte dos produtos perecíveis transportados de outros países vizinhos, principalmente da Espanha, mas que chegam ao consumidor francês a preços mais acessíveis.
Nesses últimos dias, as manifestações se repetiram em protesto contra a prisão de quatro agricultores envolvidos na pilhagem de um restaurante McDonalds em Millau, na Ardeche. Se eles não forem rapidamente liberados, os agricultores estão prometendo uma ofensiva em todo país contra esses restaurantes, 750 unidades em todo ao país.
O antiamericanismo na França não é só marcante à esquerda, junto aos partidários do Partido Comunista, mas também junto a direita, umacerta categoria de agricultores e os seguidores de Jean Marie Le Pen, o principal dirigente da extrema direita francesa. Os grandes sindicatose federações da agricultura não mais controlam os seus "irredutíveis" dispostos a tudo para defender seus interesses.
O mesmo se pode dizer em relação à empresa Coca-Cola, outro símbolo internacional norte-americano, alvo dos agricultores irados.
Na próxima semana, um protesto bem menos violento e mais simpático está previsto pelos produtores do queijo Roquefort, um degustação desse produto da região da Auvergne, diante de numerosas unidades McDonalds espalhadas pelo país.


