Curitiba- A Operação Vampiro, realizada pela Polícia Federal (PF), para investigar a compra ilegal de remédios pelo Ministério da Saúde, apontou irregularidades na compra do medicamento no Paraná. A PF descobriu, por meio de conversas telefônicas gravadas, que quatro estados, entre eles o Paraná foram alvos das quadrilhas dos lobistas. Eles faziam acordos entre si e decidiam, por meio de revezamento, quem ia ganhar a licitação. No relatório da PF fica claro o envolvimento dos laboratórios. No Paraná, o acordo foi fechado cinco dias antes da licitação, que aconteceu em maio de 2003. O relatório das conversas não informa se há funcionários públicos envolvidos nas negociações.
Segundo informou ontem a Secretaria de Estado da Saúde, apenas três fornecedores vendem a Imunoglobina RH (medicamento aplicado em gestantes com fator RH negativo após o primeiro parto). Isso, segundo o governo, impede a garantia de que não haja lobby entre os laboratórios participantes.
Segundo o secretário de Sa© úde, Cláudio Xavier, o mesmo problema pode acontecer com outros remédios, como os para pacientes transplantados ou com doenças raras, que também têm poucos laboratórios fornecedores.
Mesmo assim, o secretário disse que já foi iniciada uma auditoria em todos os processos licitatórios para compra de medicamentos hemoderivados no Paraná feitas desde janeiro de 2003 e também nos cinco últimos anos do governo anterior. E para evitar a ação dos lobistas dos laboratórios no Paraná, a secretaria solicitou o acompanhamento do Ministério Público (MP) estadual em todos os procedimentos licitatórios.
Xavier informou que todos as licitações são feitas por meio de pregão eletrônico, evitando, assim, a atuação dos lobistas dos laboratórios.

mockup