Operação Tolerância Zero contra ocupações recebe 350 telefonemas
São Paulo, 09 (AE) - Apenas na manhã de hoje, primeiro dia de funcionamento da Operação Tolerância Zero contra invasões de terra, o Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro) recebeu 350 ligações do país inteiro pelo 0800-480707. "Agora as pessoas sabem onde procurar ajuda", diz Narciso Rocha, presidente do Sinapro, que criou o serviço por acreditar que os governos estaduais não têm zelado pelo direito à propriedade.
Entidades de classe que representam os produtores rurais em todo o País começam a mobilizar-se para traçar diretrizes comuns em defesa da propriedade privada. Rocha está em contato com coordenadores regionais da União Democrática Ruralista (UDR) para montar uma agenda comum. "Já temos know-how nessa área de invasão e podemos passá-lo para outras entidades", diz Tânia Tenório de Farias, coordenadora da UDR, em São Paulo. Ela admite não ter tido uma aproximação maior com o Sinapro, mas reconhece que é hora de somar esforços.
Também a UDR do Paraná considera grave o que chama de descaso das autoridades em relação às invasões. Tarcísio Barbosa de Souza, coordenador regional da UDR, admite que entre os fazendeiros é recorrente a idéia de usar a própria força para expulsar invasores de suas terras. Ele ressalta que a UDR não endossa essas ações, mas entende que essa poderia ser uma saída para aqueles que consideram branda a ação das autoridades no trato da questão fundiária. O Paraná é um dos recordistas em invasões no País, segundo dados da UDR, que confirmam a existência de 156 propriedades ocupadas. No noroeste a Justiça já expediu mandado de reintegração de posse para 32 das 59 fazendas invadidas. Mas a Polícia Militar ainda não interveio em nenhum dos conflitos. "Chegamos ao limite", diz Souza.
Os fazendeiros dessa região decidiram montar guarda - com automóveis e rádios de comunicação - em três municípios (Terra Rica, Mirador e Nova Londrina) para proteger as fazendas de potenciais invasões. Dirceu Luis Boufler, da direção estadual do Movimento dos Sem-Terra (MST) do Paraná, afirma que a única novidade em toda essa articulação dos proprietários rurais é o fato de estar sendo divulgada: "Há muito tempo os latifundiários organizam milícias armadas para combater o MST. Em toda a fronteira com Mato Grosso do Sul há homens armados", diz lembrando que, no mês passado, grupos de encapuzados foram responsáveis pela morte de um trabalhador sem-terra em Querência do Norte (PR). Segundo Boufler, a UDR já realizou, no município de Terra Rica, diversas reuniões nacionais para debater estratégias contra o MST.





