Operação tenta recuperar carga de mogno
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2001
Erika Wandembruck<bR>De Curitiba 
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está ''fechando o cerco'' a tentativas de exportação ilegal de mogno pelo Porto de Paranaguá, no Litoral do Estado. Em uma operação nacional, 26 fiscais do órgão, começaram na madrugada de ontem a percorrer todos os depósitos de madeira do município, em busca de 38 contêineres contendo a madeira e que ainda estariam escondidos no Paraná, conforme denúncia anônima. Há duas semanas, equipes de Curitiba e do Litoral procuraram pela carga. Até o fechamento desta edição, não havia sido localizado nenhum contêiner.
Na maior apreensão do Estado, 32 contêineres com a madeira foram localizados pelo Ibama, no último dia 7, no Depósito Tropical, em Paranaguá. A operação termina no domingo. Ontem, equipes do Ibama mediam 12 pilhas de 7 metros cúbicos de mogno que estão no pátio do Depósito Tropical, além do mogno lacrado nos contêineres. Segundo o Ibama, os donos do depósito disseram que vão apresentar hoje a documentação sobre a madeira. ''Eles dizem que a madeira foi estocada antes de entrar em vigor a instrução normativa que proíbe o transporte, corte, comercialização e exportação do mogno'', informou a assessoria do Ibama. Serão confrontados os documentos deles com o relatório do instituto do Pará, de onde o mogno é oriundo, e os cálculos referentes à quantidade de madeira no pátio, o que ainda não foi concluído.
No posto do Ibama que funciona no Porto de Paranaguá, também há fiscais de Brasília, designados para intensificar os trabalhos de liberação de madeira para exportação, na tentativa de coibir possíveis atos de corrupção por parte de funcionários do instituto. Na terça-feira, o Ibama afastou dos cargos o chefe do posto do Ibama no porto, Otto Kesseli Junior, e o fiscal Dynei Carvalho que, segundo denúncia à Polícia Federal, estariam recebendo proprina para liberar o mogno.
Kesseli Junior, de 62 anos, procurou ontem a Folha e disse ser inocente. ''Trabalhei 41 anos no Ibama e por ter tido uma carreira brilhante e me considerarem de confiança, quando me aposentei fui nomeado para ocupar o cargo no porto. Não posso deixar a minha imagem ser denegrida por conta de interesses escusos'', disse. Ele acredita que Dynei Carvalho estaria usando seu nome para receber propina. A Folha não conseguiu localizar Carvalho.


