Curitiba – A Polícia Federal (PF) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deflagraram ontem, em União da Vitória e Cruz Machado, no sudoeste do Paraná, a Operação Santa Clara, com o objetivo de proteger as últimas matas nativas da região. Ao longo do dia, foram cumpridos 15 mandados judiciais, sendo dez de condução coercitiva e cinco de busca e apreensão, nas duas cidades paranaenses e também em Joinville (SC). Um homem, que portava uma arma de fogo, foi preso em flagrante.
Pelo menos 60 profissionais, entre policiais e agentes do Ibama, participaram da ação, cujo nome é uma alusão à santa protetora das plantas. Segundo o delegado responsável pelo caso, Carlos Roberto Bacila, as investigações começaram há dois anos, para apurar uma denúncia de que árvores seriam arrancadas e transformadas em carvão. "No dia 1º de abril (de 2015), como medida emergencial, fizemos uma abordagem importante de dois caminhões carregados com mais de 200 metros cúbicos de carvão. Foram detidos vários suspeitos. Depois, encontramos pessoas sendo exploradas em regime análogo à escravidão. E então deflagramos a operação", contou.
De acordo com ele, os suspeitos burlavam as fiscalizações, adquirindo documentos falsos e simulando a origem do produto, como se fosse proveniente do Paraguai. Em seguida, o transportava pelas rodovias. A corporação apreendeu diversos documentos falsos, além de caminhões e toneladas de carvão. "Um importador tem créditos para circular com a carga até o destino. Mas não fazia isso. Vendia o documento de origem florestal para essas pessoas e elas esquentavam o material, obtido através da derrubada de mata nativa. Ou seja, ganhava duas vezes", explicou.
Bacila disse ainda que os suspeitos são todos empresários e que estão conectados uns aos outros. Nenhum, porém, seria conhecido ou funcionário de companhia grande. "Tinha uma empresa em Joinville que recebia o carvão empacotado para churrasco e fazia a distribuição", afirmou. Nos próximos meses, a PF e o Ibama devem realizar a segunda fase da Santa Clara, com a intenção de identificar quem são as pessoas que lidavam com a importação. Para o delegado, a operação tem um cunho pedagógico. "É importante não só punir quem causou o dano ambiental, mas também divulgar as informações. Temos um percentual ínfimo de mata nativa no Estado", lembrou.

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