Operação tenta levar choque de ordem à praia londrinense
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Londrina - Os da terra hão de concordar: às margens do Igapó, Londrina é ainda mais bonita. Para muitos londrinenses, o entorno do lago, especialmente a área que vai do aterro à barragem, é mais que cartão-postal, é o principal espaço de lazer da cidade. E no verão, em que as temperaturas vão lá em cima, o espaço de lazer vira também um grande ponto de encontro. No domingão, a barragem do lago 1 é tomada por centenas de pessoas. E aí, os excessos acontecem, incomodando moradores, comerciantes e até usuários em busca de diversão e sossego.
Além do banho proibido, ambulantes sem licença para vender bebidas alcoólicas, veículos estacionados irregularmente e carros com som em volume acima do normal transformam a "praia londrinense" num grande mar de ilegalidades. A Polícia Militar e a prefeitura esperam que as infrações diminuam com a Operação Verão, ação integrada de fiscalização que vem sendo realizada há alguns domingos por equipes da PM, Guarda Municipal, Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e Secretaria do Meio Ambiente (Sema) nas proximidades da barragem.
"Aqui é um espaço de lazer que a população gosta de usar e que tem que trazer tranquilidade e diversão para quem quer se divertir de forma organizada", afirmou o sargento da Polícia Militar Winkler Barioto, que comandou as operações ontem. Segundo ele, até as 17 horas foram apreendidos nove veículos com irregularidades envolvendo débitos com a taxa de licenciamento e condutores sem habilitação.
A FOLHA esteve na barragem ontem à tarde e verificou que se os ambulantes clandestinos sumiram, os banhistas nadavam à vontade, apesar da presença de fiscais da CMTU e da Guarda Municipal. O Corpo de Bombeiros informou que fez rondas no local de forma preventiva, mas que cabe à Marinha fiscalizar a entrada na água. Um veículo estacionado em cima da grama foi multado por agentes da CMTU, que também fizeram os ocupantes de um carro baixar o volume do som e determinaram a retirada de veículos parados próximos ao canal da barragem.
O advogado Marco Antônio Soares teve que ir "resgatar" um parente que teve o carro apreendido pela PM porque dirigia sem habilitação. E disse apoiar a fiscalização. "É válido para melhorar a segurança no trânsito. Temos que moralizar esse país", afirmou. Há sete anos vendendo caldo de cana e água de coco por ali, um comerciante que não quis se identificar foi outro a engrossar o coro a favor da operação. Mesmo tendo admitido que o movimento caiu após a presença das forças de segurança. "É bom demais. Tem que fiscalizar porque do jeito que está, tá feio. Tem muita bagunça", afirmou.
O mecânico Marcos Vinicius Gomes, 19 anos, nadou até não poder mais. Era sua primeira vez no Igapó. "É da hora", disse, sem se preocupar com as condições impróprias da água. "Dá nada, não." O tio dele, Mário Goulart, contou que sempre leva a família até a barragem e pediu mais fiscalização em cima dos usuários de jet ski. "Andam muito perto do pessoal", disse. Eles moram na Vila Nova (Área Central).


