Operação Resgate traz ao Brasil três dekasseguis
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quinta-feira, 09 de julho de 1998
Agência Estado 
O casal Minoru e Júlia Kubota, de 56 e 51 anos, e a paranaense Lucimara Alves Wagima, de 26 anos, desembarcaram ontem, às 7h35, em Guarulhos (SP), vindos do Japão. Eles são os primeiros dekasseguis que passavam dificuldades no Japão a voltar graças à Operação Resgate, campanha promovida pela Associação dos Imigrantes no Brasil (Asibras), Vasp e Nipomed. Na quinta-feira, outros 11 brasileiros devem chegar ao País.
O casal teve seu sonho desfeito por causa de uma doença contraída por Kubota. Lucimara foi iludida por promessas de emprego no Japão. Lá, casou-se com um japonês e está grávida de três meses, mas teve de voltar ao País porque seu marido, desempregado, foi preso ao tentar roubar comida. No reencontro, poucas palavras e espanto. Ela está arrasada, dizia Rose Alves, mãe de Lucimara.
Simone Kubota, de 25 anos, filha do casal Kubota, mantinha contato com a mãe. Por meio dela, recebia notícias do pai, que estivera internado durante quase um mês em Nagano. Eles estão muito magros, disse ontem.
No Aeroporto de Guarulhos, a mãe de Lucimara não tinha certeza de que a filha estaria no vôo 895 da Vasp. Rose Alves, de 45 anos, recebeu a notícia de um repórter paranaense anteontem à noite. Desde dezembro ela não telefona, disse Rose. A gravidez e o casamento da filha eram novidade para ela. Na última vez em que nos falamos ela reclamou da falta de trabalho. Indignada, lembra que Lucimara aceitou o desafio de ir para o Japão quando viu um anúncio de uma agência. Prometiam salário de US$ 3 mil, lembra.
Mas os relatos de Lucimara nas cartas e nos telefonemas revelaram uma realidade diferente. Ela ganhava US$ 900 por mês e, durante um ano, metade do salário era descontado para pagar as passagens e a agência. Lucimara deixou seu filho, Lucas Yugi Wagima, de 6 anos, com a mãe, em Londrina. Ela era viúva antes de ir para o Japão e esperava não passar mais de dois anos no país.
Não foi a primeira vez que Minoru e Júlia Kubota tentaram a sorte no Japão. Entre 1990 e 1992, ele trabalhou em uma fábrica de artefatos de alumínio. Em 1992, voltou ao Brasil, passou alguns meses aqui e voltou ao país com a mulher. Ao todo, desde aquela época, foram quatro viagens ao Japão. Na última, eles tiveram problemas por causa da saúde de Minoru Kubota.


