Operação movimentou a Cidade da Polícia, no Jacaré, na zona norte do Rio de Janeiro
Operação movimentou a Cidade da Polícia, no Jacaré, na zona norte do Rio de Janeiro | Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo


Rio - Ao menos 62 policiais militares foram presos nesta quinta-feira (29) numa ação para desarticular um esquema de corrupção em São Gonçalo, cidade na Região Metropolitana do Rio. A operação deteve ainda 22 traficantes e mais dois "recolhedores de propinas".

No total, foram 184 mandados de prisão preventiva expedidos, com 96 PMs indiciados. Entre eles, a maioria era de sargentos e cabos. A patente mais alta entre os detidos é a de um subtenente. Com 800 homens, o 7º Batalhão da PM, único do município, foi o principal alvo da apuração.

Segundo os investigadores, o esquema envolvia o pagamento de propina por traficantes de 50 comunidades da cidade e rendia cerca de R$ 1 milhão por mês aos policiais. "É um dia triste, mas necessário", disse o secretário de Segurança Roberto Sá. Os policiais presos vão responder por organização criminosa e corrupção passiva.

Segundo a investigação, os militares ofereciam uma série de "serviços aos traficantes", que incluíam de aluguel de fuzis até a escolta dos criminosos nos deslocamentos de uma comunidade para a outra da cidade. Agentes envolvidos na operação afirmam que o pagamento de propinas era feito até mesmo dentro do batalhão da polícia.

Carros oficiais eram usados para recolher a propina nas bocas de fumo.
De acordo com a Polícia Civil, os PMs também sequestravam traficantes. Caso o resgate, que chegava a R$ 5.000, não fosse pago, os policiais levavam os "reféns" presos para a delegacia.

Os policiais foram flagrados ainda "assaltando" um ponto de venda de drogas na cidade. Segundo o inquérito, os PMs assumiram o comando do ponto e negociavam os produtos ilícitos por preços menores com os usuários. O objetivo seria fazer dinheiro rápido. A operação, batizada de Calabar, é uma das maiores já realizadas envolvendo casos de corrupção entre PMs e traficantes.

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