Rio- Nove integrantes de uma grande quadrilha especializada no tráfico de maconha, entre eles três empresários e um estudante universitário, foram presos ontem no Rio, São Paulo, Maranhão, e Mato Grosso do Sul, e 220 quilos da droga foram apreendidos, na chamada ''Operação Ciclone''.
Mensalmente, o grupo, que atua nos quatro estados e em Mato Grosso, envia toneladas de maconha da fronteira com o Paraguai ao Sudeste. Apontado como chefe do esquema, o empresário Rogério Siqueira Azambuja, de São Luís (MA), está foragido.
A Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil do Rio (Cinpol) investiga a quadrilha há seis meses. Com autorização judicial, foram feitas escutas telefônicas que resultaram em 320 horas de conversas entre os bandidos. Alguns trechos mostram que os criminosos mandaram para o Rio até 20 toneladas de maconha num único mês.
As gravações permitiram que fossem expedidos mandados de prisão, de busca e apreensão. Os suspeitos tiveram também suas contas bloqueadas e bens sequestrados, graças à nova Lei dos Entorpecentes, aplicada pela primeira vez no Rio.
As escutas possibilitaram também que a rota percorrida pela droga vendida pelo bando fosse revelada: a maconha sai do Paraguai para Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, é transportada para São Paulo e de lá distribuída para o Rio e para outros Estados. O principal meio de transporte é o caminhão. No Rio, a carga vai principalmente para a Região dos Lagos, a Favela do Jacarezinho, principal entreposto do Estado, e para os abastecedores da zona sul, entre eles aqueles que operam o chamado ''Disque-Drogas''.
Policiais do Rio, com o apoio das polícias locais, prenderam os supostos traficantes sem enfrentar resistências. Na capital paulista, foi capturado Valdecir Raimundo Gomes do Prado, empresário de Campo Grande (MS). Prado estava em um hotel no centro de São Paulo. A prisão foi feita no lobby pelo próprio chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Álvaro Lins, que estava na cidade porque havia participado da gravação de um programa de TV na noite anterior.
No mesmo hotel estava hospedado também Rogério Azambuja, empresário do ramo de importação e exportação radicado em São Luís (MA) e que atua também em Ponta Porã (MS). Ele conseguiu fugir. Segundo os policiais, Azambuja seria o cabeça do esquema - financia a compra da maconha. Prado seria o número dois no esquema. No quarto onde eles estavam, foram achados R$ 40 mil.
Em São Luís, foi preso Douglas Lafayete Julião, sócio de Azambuja e dono da All Street Casa de Câmbio e Turismo. Lá a polícia apreendeu US$ 20 mil. Aral Matoso, despachante que seria o responsável pela movimentação bancária da quadrilha e pelo envio de drogas para o Rio, foi preso em Ponta Porã.
Roberto Carlos Gomes, o Neném, que seria o principal distribuidor do bando no Rio, e Suene Souza Alcântara foram detidos na favela do Jacarezinho, na cidade do Rio. Neném recebia a droga e a repassava para seus clientes na Região dos Lagos e na zona sul do Rio, de acordo com a polícia. Com eles foram recuperadas, além dos 220 quilos de maconha, uma pistola calibre 380, munição e pequenas quantidades de haxixe, skank e sementes de maconha.
Ainda no Rio, foi preso Alexandre Ungarett Nassif, universitário e operador do Disque-Drogas. Ele estava num apartamento do bairro do Flamengo, zona sul.

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