Belém - A Polícia Federal prendeu 18 pessoas, entre servidores públicos federais, empresários, advogados e fazendeiros acusados de corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos públicos, crime contra a ordem tributária e formação de quadrilha em negociações envolvendo terras da União em Santarém, no sudoeste do Pará. O decreto de prisão temporária foi assinado pelo juiz substituto da Justiça Federal de Santarém, Fabiano Verli. Do total de 21 mandados de prisão em poder da PF, três ainda faltam ser cumpridos. Entre os presos está o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belém, Roberto Faro. Ele passou mal logo depois de sua prisão, em Manaus (AM), e teve de ser internado em uma clínica daquela cidade.
Faro é acusado de receber R$ 300 mil para liberar títulos de terra para a quadrilha, que seria liderada pelo empresário de Mato Grosso Clóvis Casagrande, conhecido em Santarém, onde mora, como ''rei da soja''. Cerca de 500 mil hectares já teriam sido liberados para os grileiros. De acordo com as investigações, que vinham sendo feitas há mais de um ano pela PF, extensas áreas de terras públicas eram transferidas para particulares em troca do pagamento de propina.
De acordo com o procurador da República em Santarém, Gustavo Nogami, essa é uma das quadrilhas de grilagem de terras que vem agindo na região. ''Os funcionários do Incra identificavam áreas devolutas não ocupadas e obtinham documentos fraudulentos com o apoio dos advogados. Os empresários então vendiam as terras, para plantações de soja'', explicou Nogami, que deu parecer favorável às prisões.
Além de Casagrande e de seus três advogados, outro empresário preso é Moacir Ciesca, dono da madeireira Rancho da Cabocla. Ele estava em Fortaleza quando foi localizado pelos agentes da PF. O ex-servidor do Ministério Público Federal em Santarém, Edilson de Moura Senna, também preso na Operação Faroeste, teria recebido propina dos empresários para facilitar a grilagem.
Em agosto deste ano, Sena foi o primeiro funcionário da história do MPF no Pará a ser demitido a bem do serviço público. A decisão foi do procurador-geral da República, depois de processo disciplinar que apontou improbidade administrativa e outros crimes em sua conduta profissional.
Entre os funcionários do Incra presos, alguns nomes eram cotados como futuros secretários municipais de Santarém na próxima administração de Maria do Carmo, do PT. É o caso de Pedro Paulo Pelluso, presidente do PT no município, e Osmando Figueiredo, advogado e presidente do PDT.

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