Rio - Uma operação da Polícia Federal em 15 Estados, incluindo o Paraná, prendeu ontem 13 pessoas de uma quadrilha de contrabandistas liderada pelo israelense Yoram El Al, de 40 anos, que, segundo a PF, seria ligado à organização criminosa israelense Família Abergil e também explorava máquinas caça-níqueis no Brasil. Mais de R$ 50 milhões em carros importados, pedras preciosas e dinheiro foram apreendidos por ordens de 119 mandados.
Dez pessoas foram presas no Rio, entre elas três policiais militares, e três no Espírito Santo. Duas concessionárias foram fechadas no Rio e em São Paulo, onde 20 carros importados foram apreendidos. Participaram da operação 150 servidores da Receita Federal e 500 agentes federais.
Apontado como o maior traficante de ecstasy de Israel, El Al consta no site do Drug Enforcement Administration (Departamento Antidrogas Americano) como um dos criminosos mais procurados do mundo. Mesmo assim, ele vivia legalmente no País, onde tem um filho brasileiro. O israelense chegou a ser preso em 2006, mas o pedido de extradição feito pelos Estados Unidos foi negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano seguinte. As investigações sobre as atividades dele no País começaram há dois anos. Mesmo sem trabalho formal, El Al circulava em carros importados e morava em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, onde foi preso.
Parte do grupo criminoso identificado na operação atuava no contrabando de carros de luxo dos Estados Unidos. Segundo a Receita Federal, eles importaram ilegalmente pelo menos 102 veículos nos últimos dois anos, no valor estimado em R$ 30 milhões.
De acordo com a Receita, as notas fiscais apresentadas na alfândega do Brasil tinham valor inferior ao verdadeiro. ''Em geral, havia um subfaturamento médio de 25% no preço real dos carros'', afirmou o superintendente adjunto da Receita, Marcus Vinicius Vidal Pontes. Ele estima que quatro empresas importadoras e as três concessionárias multimarcas sonegaram até R$ 25 milhões em tributos estaduais e federais. O bando fazia negócios ainda em Pernambuco, Minas Gerais, Alagoas, Bahia, Rondônia, Distrito Federal, Amapá, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Sergipe.

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