Operação pente-fino tumultua Ponte da Amizade
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quinta-feira, 22 de novembro de 2001
Alexandre Palmar<br>De Foz do Iguaçu 
Fiscalização realizada ontem pela Receita Federal na Ponte da Amizade causou revolta de sacoleiros na fronteira do Brasil com o Paraguai. O tumulto aconteceu devido à demora no despacho das mercadorias vistoriadas na aduana em Foz do Iguaçu. Passageiros de mototáxis foram obrigados a descer das motos para a inspeção de bagagens e ficaram indignados com o pente-fino. A medida resultou em bate-boca entre sacoleiros, fiscais e policiais federais.
Desde a semana passada, o efetivo de fiscais dobrou de sete para 14. Com o reforço, o índice de fiscalização por amostragem passou de 5% para 30%, estima o chefe da RF na Ponte da Amizade, Ivair Luis Hoffmann. Diariamente 19 mil veículos cruzam a fronteira, conforme o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Do total, pouco mais de cinco mil estariam sendo vistoriados.
O volume de mercadorias apreendidas, não divulgada pela Receita, foi suficiente para encher os seis contêineres e o depósito na aduana brasileira. ''Só queremos trabalhar, mas se o aperto continuar assim, logo seremos obrigados a roubar'', desabafou Ezequeiel Fontana Jardim, 37 anos, motorista de ônibus de turismo. Ele contou que há cinco anos leva sacoleiros curitibanos para o Paraguai, mas a quantia de clientes tem caído neste ano ano porque muitos temem perder seus produtos.
Outro motivo de reclamações foi o preenchimento da Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA) e o cadastro no sistema de controle que estabelece a cota de US$ 150 por mês (R$ 393,00) e prevê que outra compra em menos de um mês é considerada contrabando. Até as 15 horas, 740 sacoleiros fizeram o cadastro. Embora pequeno, o número foi suficiente para causar uma fila de mais de dois quilômetros da aduana até Ciudad del Este, no Paraguai.
Vistoria semelhante tem ocorrido na Ponte Tancredo Neves (Brasil/Argentina) e na BR-277, única via terrestre de acesso à fronteira. As ações devem continuar nos próximos dias, garantiu o delegado da RF, em Foz, Mauro de Brito. ''O objetivo é privilegiar o turista'', afirmou. A operação pente-fino realizada no feriado da Proclamação da República (15) terminou em protesto dos sacoleiros que destruíram mercadorias.


